terça-feira, 17 de novembro de 2015

Monografia sem segredo


Trabalho de Conclusão de Curso é algo que atormenta os estudantes desde o início do curso até o seu fim. Falo isso por experiência própria. Embora eu tenha si me preocupado com ele, não foi lá aquele pesadelo que as pessoas dizem por aí. Por isso, pensei em criar este texto para dar dicas que funcionaram comigo durante esse momento tão angustiante do curso.

Na minha faculdade, no curso de Direito temos que fazer uma monografia com o mínimo de 40 páginas. Esses conselhos que vou passar aqui provavelmente não servirão para aquela galera sortuda que tem como trabalho de conclusão de curso fazer um artigo, por exemplo. Então, vamos lá:

1)      Escolha um tema que não seja “batido”

Não estou falando para ninguém criar temas que mal conseguirão escrever. Ou que sequer terá material suficiente para isso. Mas já reparei que pessoas que escreveram sobre temas que já foram excessivamente debatidos são encostados na parede durante a parte de questionamentos de sua banca. Sabe por quê? Porque o seu examinador estará esperando muito mais de você, já que ele já está saturado de ler e de ouvir esse tema. Ele vai querer coisa nova. Caso contrário, ele vai ler na sua testa “preguiçoso” e pensar: “esse daí quis pegar uma monografia “pronta”.” Não, não estou dizendo que você é preguiçoso, mas é assim que vão te enxergar.

Mas Kamilla, realmente eu quero um tema “batido”. Quero só ser apenas aprovado na monografia, mais nada. Não quero perder muito tempo com isso. Ok, é sua escolha. Mas quem avisa amigo é. O que é fácil agora, pode se tornar mais difícil depois.

2)      Escolha um bom orientador

Muitas pessoas nem acreditam quando digo que primeiro escolhi meu orientador, depois escolhi meu tema. Mas a verdade não é bem essa. Eu estava escrevendo sobre um tema, que eu não conseguia encontrar um orientador em quem confiar. Com isso, conheci esse professor que era de área bem diferente do que eu estava escrevendo. E ele sempre me passou uma imagem de pessoa responsável. Não pensei duas vezes: comecei minha monografia do zero com ele. Foi a melhor coisa que fiz.

Antes de começar a monografia, tente contato com vários professores. Vai riscando da sua lista aqueles que não respondem seu e-mail, aqueles que você mal encontra na faculdade... Você precisa de alguém que te dê retorno, que tenha responsabilidade com o seu trabalho também. Alguém em quem confiar. Nem sempre aquele que é um excelente professor, será um bom orientador.

3)      Escolha doutrina como referência para o seu trabalho

Embora nós usemos muitos manuais durante o curso visando apenas passar nas matérias da faculdade, os examinadores não vêem como bons olhos o uso delas em trabalhos acadêmicos. Por quê? Porque manual é apenas a compilação das ideias dos doutrinadores. O ideal é você ir direto nos livros deles. Manual não foi feito para trabalho acadêmico desse nível.

Então, Kamilla, você não usou nenhum manual na sua monografia? Usei sim, mas não como base, nem mesmo como cortar o caminho até o doutrinador. Utilizei apenas quando nenhum dos doutrinadores falava o que eu precisava, acredite, isso acontece e muito. Também para conseguir decisões judiciais atualizadas. Portanto, tomem cuidado com manuais.

4)      Sumário é vida

Por favor, não ousem começar uma monografia sem saber o sumário dela. Você tem que ter noção de tudo que você pretende escrever antes de começá-la para você não se perder. Acredite, mesmo com o sumário a sensação de estar perdida permanece, imagine sem sumário.

5)      Faça fichamentos

Eu sei que muitas pessoas têm preguiça de fazer fichamento e prefere já escrever direto. Eu inclusive era uma dessas pessoas. Só que percebi que eu não estava progredindo escrevendo a monografia assim. Pois se você faz fichamento, você deixa toda a sua leitura arquivada. Dessa forma, o que você escreveu hoje e acha que é desnecessário para a monografia, pode ser que amanhã você precise e nem se lembra de onde leu aquilo. Se você faz direto, você pode perder muita coisa. Além disso, você terá dificuldade para desenvolver o trabalho.

Fichamento é um passo atrás, para dar dois passos à frente. Você pode até demorar a desenvolver o trabalho, mas quando tiver feito vários fichamentos, seu trabalho se desenvolve em um piscar de olhos. Acredite! 

6)      ABNT só se aprende errando

A minha mãe é a única pessoa no mundo que diz aos quatro ventos que adora ABNT. Confesso que nem sei lidar com essa informação.

A mais pura verdade é que ninguém gosta dela, mas ela é um mal necessário. ABNT não é tão difícil assim, só que ela demanda prática e pesquisa. Ninguém nasce sabendo, ninguém nasce com o dom da ABNT, nem muito menos a adora. Querido, só fazendo e errando que você vai aprender. Não conheço outro jeito.

7)      Não faça a monografia de última hora

Já vi anúncios na rua da minha faculdade prometendo fazer monografia em dois dias. De duas, uma: ou a pessoa escreve várias monografias durante certo tempo e vende para os interessados, ou ela faz de qualquer jeito. Em dois dias eu não consegui nem me decidir por qual tema escrever.

Embora monografia não seja esse pesadelo que todo que dizem, você vai ter que se dedicar boa parte do seu tempo para ela. Você terá que ter um relacionamento sério com a sua monografia mesmo. Para isso, muitas vezes deixará de ver aquela série no Netflix ou deixar de sair para aquele show que todos os seus amigos vão. Mas ninguém vai morrer com isso. Mesmo por que essa fase também passa. E o esforço vai valer a pena. 

8)      Introdução e conclusão são as últimas coisas

Eu já vi orientadores pedirem para seu alunos escreverem primeiro a introdução da monografia. Quando eu ouço isso, quase sinto uma facada no meu coração. Queridos, o ideal é introduzir um assunto quando você sabe o que escreveu nele. Você pode até fazer a introdução antes de qualquer coisa, mas vai ser trabalho perdido, pois vai ter que modificá-la muito. Vamos evitar serviços perdidos, né? Queremos uma monografia boa, mas não queremos trabalhar a toa.

Mas, Kamilla, estou escrevendo minha monografia e não sei o que concluir. Este é o caminho, pois se você já tivesse a conclusão pronta, teria algo errado aí. A intenção deste trabalho é mostrar todos os argumentos possíveis para aquela problemática e apenas no final você dar sua opinião. 

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Não me lembro



Emocionei-me muito lendo os relatos de amigas, conhecidas, desconhecidas e artistas sobre os seus primeiros assédios. Só assim eu percebi que eu sequer me recordava qual havia sido o meu primeiro assédio. Achei isso extremamente preocupante.

Eu sequer me lembro do primeiro assédio que sofri. Talvez porque eu não tenha percebido que eu tivesse passado por isso, afinal fomos criadas em um universo completamente machista. Pode até ser que eu tenha concordado que o homem que me assediou tinha o completo direito de fazer isso. Talvez eu não lembre também, porque a nossa existência feminina é marcada por assédios diários. São tantos, que a nossa memória torna incapaz de arquivá-los todos. Não me lembro quando foi meu primeiro assédio, muito menos quando foi o último.

Crescemos ensinadas que um “fiu-fiu” quando você passa na rua é elogio. Por dia, eu devo ouvir “fiu-fiu” ou carros buzinando “sem motivo” para mim, no mínimo uma vez ao dia. Mas quando você descobre que não é elogio, que inclusive é desrespeito com você, a história (ainda bem) muda completamente.

O que sinto quando passo por uma situação dessa? Raiva de ter nascido mulher e ser suscetível a isso todos os dias. Ódio de os homens acharem que o meu corpo é público. Por fim, arrependimento de eu ter achado um dia que isso era elogio.

Por diversas vezes deixei de usar saia, vestido, short, legging e decote com o objetivo de passar despercebida pelos homens. Mas com a experiência e maturidade você aprende que nem coberta da cabeça aos pés, você está a salvo do machismo. Única coisa que pode nos salvar mesmo é o feminismo.

domingo, 8 de novembro de 2015

Séries e Eu

http://ingridyalves.blogspot.com.br/2015/06/maratona-de-series-para-ferias.html

Faz pouco tempo que entrei nesse universo das séries. Sempre fui noveleira, mas série ainda não tinha me pegado de jeito a ponto de me conquistar. De repente, novelas passaram a não me interessar mais, concomitantemente, troquei a televisão pela internet. Talvez a decadência das novelas brasileiras me obrigaram a procurar outro entretenimento. Foi um processo bem longo para chegar a essa fase: assistir séries, abandonar novelas (apesar que, “Além do Tempo” está maravilhosa, mas não chego a tempo de acompanhar). 

Comecei a acumular séries para assistir, assim... do nada. Do nada não, graças ao Netflix, graças aos vários sites que disponibilizam os episódios pra a gente, graças a TV paga muito amada por nós. Atualmente eu assisto a 10 séries. Dez são muitas séries, estou sabendo. Mas também não sei lidar, só aceitar isso. 

Eu assisto essa grande quantidade de séries porque gosto de ir alternando entre elas para não perder o gosto, não enjoar. Eu sei, é frescura minha. Pode ser uma desculpinha também, afinal, também não estou aqui para ser julgada. Talvez eu esteja só postergando as séries para nunca chegar ao final delas. Gente, não é fácil dizer tchau a ninguém, muito menos a personagens que estão ali todo dia com você. Respeitem minha escolha de empurrar com a barriga o meu sofrimento.

Mesmo tomando gosto por assistir séries eu tinha uma mania: só assistir séries terminadas para poder fazer maratona. Outro dia mesmo eu terminei “Dexter” e “Gossip Girl”. A primeira terminou em 2013 e a segunda em 2012. Todos meus amigos já sabiam há tempos o final de cada uma delas, e eu achando um máximo como se fosse novidade. Não era para eles, mas para mim era sensacional de novo.

Só que as coisas mudaram. Pela primeira vez na história da minha vida eu estou acompanhando uma série em tempo real de divulgação. Essa série que está me tirando o sono é “How to Get Away With Murder”. Relaxem, farei um texto só para essa maravilha ainda. Se você não conhece, querido, não sabe o que tem de bom na vida aí.

Enfim, estou vivendo aquela contradição: estar em dia com os episódios de uma série, mas nunca com as matérias da faculdade. Não dá para fazer os dois ao mesmo tempo, não é mesmo?

P.S.: Caso queira ser meu amigo no Orangotag, só clicar aqui