sábado, 15 de junho de 2013

R(ei)nato



No último domingo, eu assisti ao filme "Somos tão jovens", que retrata o início da carreira musical do Renato Russo, em Brasília. Não sei se o meio influencia o homem, mas sua vida brasiliense colaborou muito nas suas criações. O que mais impressiona foi a sensibilidade para enxergar essa cidade, que para boa parte do Brasil se resume a hospedar os políticos corruptos. Como se a cidade não tivesse vida além disso.
Brasília é uma cidade linda! Isso, graças às obras do Oscar Niemeyer, ao urbanismo do Lúcio Costa, a esse céu magnífico e às músicas do Renato Russo. "Estou indo pra Brasília, neste país lugar melhor não há."
Apesar disso, Brasília não é aquele tipo de lugar que inspira músicos e escritores. Não sei se é pelo senso comum que eu disse acima. Só sei que não é tão retrata quando outras cidades. Não é tão Rio de Janeiro, tão São Paulo, tão Bahia... Pode ser também porque a cidade é tão nova, que ainda não sabe o que quer da vida. Um dia será muito inspiradora... Renato Russo conseguiu enxergar isso antes de todos.
Pelo que deu para perceber no filme, porque infelizmente não pude presenciar a carreira do Renato Russo, ele era uma pessoa com sensibilidade e atitude diferenciada. E que utilizava da música para expressar tudo aquilo que lhe afligia e precisava compartilhar isso com as outras pessoas.
Desde o início ele trazia para suas músicas: críticas à sociedade, ao país e aos políticos... Como entender que ninguém respeita a Constituição, a lei básica do país, mas acredita no futuro dessa nação que tinha uma geração Coca-Cola vindo à tona. Além disso, emocionar-se com a história de João de Santo Cristo, que a história de milhares de brasileiros, em seus mais de 9 minutos de música e se reconhecer na música "Eduardo e Mônica", que retrata tantos casais.
Nasci na cidade que ocorreu o primeiro show do Legião Urbana, Patos de Minas. E praticamente ouço isso do meu pai desde que eu nasci. Show esse que eles foram presos, e que não teve no filme. Mas eu entendo, já havia passado algumas cenas em que ele tinha sido preso. Ia ficar clichê mesmo se tivesse mais uma cena como essa. E hoje moro na cidade em que ele morou. Estudo na mesma faculdade em que ele estudou. Mas de longe não tenho a mesma sensibilidade dele para a arte. Só coincidência termos passado pelos mesmos lugares.

A sensação que tive quando terminou o filme foi: podia ter mais 2 horas de duração, que eu não me cansaria ou me importaria. Pois eu tenho muito tempo. Tenho todo o tempo do mundo. Temos nosso próprio tempo. Somos tão jovens.


domingo, 9 de junho de 2013

Você, passarinho

As minhas amizades mais verdadeiras começaram do nada. Começaram naturalmente, sem intervenção de ninguém. 
Lembro como se fosse hoje, como eu fiquei amiga dela. Era o nosso primeiro semestre de Direito, e eu conhecia apenas uma pessoa na sala. Eu não sou muito sociável. Não puxo conversa com ninguém; ou seja, não sei fazer amigos. Meio que as pessoas que tem de ter iniciativa pra isso. Nessa época da faculdade, eu era muito disciplinada e chegava bem cedo para a aula. E ela tem esse costume até hoje, o qual eu já abandonei faz tempos. Nesse dia, eu cheguei cedo, entrei na sala, me sentei na terceira cadeira, no meio das fileiras, e uma garota alta, cabelo preto, brilhante e escuro, me diz:

_Ei, eu sonhei com você. 
_Sério?
_Sonhei que a gente discutia na sala e eu te dava um tapa na cara. HAHAHAHA

Eis, o início de uma amizade. Das minhas amigas, a Bia é a mais espontânea. É dela que escuto as frases mais loucas e sinceras. 
Como é bom todo início e final de semestre a gente fazer as mesmas promessas: não faltar mais as aulas; não apenas responder chamada, mas assistir a aula, não deixar as matérias acumularem... Já estamos quase indo para o sexto semestre, e a história é a mesma. E nunca cumprimos.
Ela deve estar pensando que me esqueci do aniversário dela. Mas como? Temos Facebook para isso, não é mesmo? Brincadeira, eu sempre me lembro desta data. Diferente dos outros anos, que só pude mandar uma singela mensagem no celular, resolvi dar uma inovada este ano. Mais que merecido eu gastar dois dias pensando nas palavras certas para te parabenizar.
De um tempos pra cá, você é parte inerente do meu cotidiano. O dia que não nos encontramos, o dia fica completamente diferente. É sempre bom conversar com você, desabafar e rir. É sempre legal te dar "bom dia" e você proferir alguma frase bem estressadinha ou do contra, logo sete da manhã. Fico feliz que você tenha evoluído como pessoa e passou a gostar e comer pão de queijo.

Gostaria de te parabenizar e te desejar todas as coisas bonitas desse mundo. Tenho certeza que seu futuro será brilhante, porque você é uma pessoa fantástica e encantadora. E quero que nossa amizade dure muito, para eu ver de pertinho todo o seu sucesso que há por vir. Porque todos estes que estão aí, atravancando o seu caminho, eles passarão e você passarinho.

domingo, 19 de maio de 2013

Dedo na Garganta


Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta.
Caio Fernando Abreu


Em silêncio, desde final de janeiro. Não por falta de tempo. Não por falta de vontade. Mas por não conseguir organizar as ideias. 

Se for pensar, eu passei praticamente a minha vida inteira em silêncio. Só observando e absorvendo tudo. Não é à toa que dizem que a expressão “mineiro come quieto" foi feita para mim. Mas chega uma hora que fica difícil aguentar todo esse peso. Eu tinha de fazer alguma coisa. Ou encontrar a solução ou um paliativo. Brasileira que sou, encontrei logo o paliativo.

Escrever. Escrever seria a minha solução temporária para me livrar dos meus fantasmas pessoais. E, além disso, um processo para me conhecer melhor. 

Eu poderia continuar no meu mundo, silenciosamente, desde que desabafasse escrevendo. Não existe coisa melhor do que zona de conforto e eu não queria sair da minha. Mas queria dar algum passo adiante. Eu posso até levar desaforo pra casa, mas para vida não. Esse virou meu lema.

Sabe quando dizem assim: "Chora que vai passar...". Eu posso chorar um oceano, que não vai passar. Posso desabafar com quem seja, até mesmo responsável pela dor, que não vai adiantar. Mas basta eu me organizar e escrever sobre o assunto, que passa. 

Acho que é isso: organizar-me. Enquanto não consigo escrever sobre algo, é que dentro de mim tem um tabu me impedindo. Uma bagunça psicológica me dominando. (Mesmo porque sempre fui contra a expressão "bagunça organizada". Se é bagunça, é desorganizada e ponto final.) Como se eu não estivesse pronta ainda. E o que mais me assusta foi ficar todo esse tempo em silêncio...  Quantos fantasmas durante esse tempo todo vêm me atormentando? 

domingo, 20 de janeiro de 2013

That's my man


Existem certas pessoas que ganham a minha simpatia assim de graça, sabe? A pessoa não precisa fazer muita coisa para ganhar a minha admiração. Basta ser quem é, apenas.
            Barack Obama é uma dessas pessoas. Desde que o vi pela primeira vez, gostei dele. Ou melhor, gostei da sua construção como político. Porque também não somos tão ingênuos de achar que o marketing político passa de leve por ele. Aliás, chego a afirmar que é a melhor construção de um presidente dos últimos tempos. Falou aquela que tem quase 22 anos. Relevemos essa última informação.
            Sim, o Lula foi um presidente extremamente popular. Mas sabemos muito bem que ele foi construído por Duda Mendonça. Nós vimos as transformações acontecerem. E olha, Duda, você está de parabéns! Bem mais agradável olhar para o Lula depois de sua transformação. Aposto que ao falar que prefiro a imagem do Obama ao do Lula, vão vir falar que é só porque brasileiro adora um produto importado dos EUA.  Mas no quesito imagem, Obama ganha disparado de qualquer um.
            A impressão que tenho é de que Obama é como qualquer um de nós. Como um vizinho, um amigo... Eu consigo encontrar mais afinidade nele do que qualquer outro político brasileiro. Vocês já repararam como ele anda? Ele tem gingado até no seu caminhar. Ele sabe sorrir. Ele sabe abraçar. Ele é carismático. Tudo parecendo natural. Ele sabe ser fotogênico. E chego afirmar que nunca vi uma foto que ele tenha se saído feio. Se tiverem, mande-me.
            O que acho mais incrível é a imagem que se passa de Michelle Obama. Ela tem presença. Ela não é só a primeira-dama. Não é apagada igual a todas as outras que costumamos a ver. E a impressão que de fato nos passa é que sem ela, ele não seria tudo aquilo que acabei de elogiar. E nem é o caso de que atrás de todo homem de sucesso, tem uma mulher. Neste caso, é ao lado que ele tem.
             E quando o Obama resolve declarar seu amor e sua admiração por sua esposa, eu me derreto toda. Eu, suas eleitoras e metade do público feminino do mundo. Por exemplo, ao vencer a disputa com Mitt Romney, no dia 6 de novembro, Barack Obama, em seu discurso, em Chicago, Illinois, falou o seguinte: “Eu não seria o homem que sou hoje sem a mulher que aceitou se casar comigo 20 anos atrás. Vou dizer isso publicamente: Michelle, eu nunca te amei tanto, e eu nunca me senti tão orgulhoso de ver o restante da América se apaixonar por você também como a primeira-dama da nossa nação”. Obama e Michelle nos fazem acreditar que eles se amam mesmo. Uma vez me falaram que mais importante do que você ser, é parecer o que você é. Não significa que os outros presidentes não amavam suas respectivas esposas, apenas não pareciam como Obama faz.









segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Dos erros amáveis

        

''Queria tanto que alguém me amasse por alguma coisa que escrevi.''   Caio F. Abreu



Há quem diga que o importante é ser feliz. Discordo. O importante é se sentir amado. É pretensioso pensar assim, mas tudo o que fazemos é na intenção de sermos amados pelas pessoas a nossa volta. Fazendo coisas certas ou coisas erradas para elas sentirem isso por nós. De alguma forma queremos chamar a atenção. Queremos ser notados. Amados.
Tem gente que procura ser amado por sua beleza. Pelo seu humor. Pelo seu dinheiro. Pelos seus dramas. Por sua história de vida. Por sua inteligência...
Devo confessar, que desde mais nova, eu queria ser amada pelo meu conhecimento. Na minha mente, diante da minha falta de beleza e de bom humor, o que me restava era ler livros e jornais. Nunca pretendi ser a pessoa mais inteligente do universo. Mas queria que as pessoas me admirassem pela quantidade de conhecimento que eu ia adquirindo desde criança. Por isso me escondi, durante anos, atrás dos livros. Ok, continuo me escondendo um pouco, até hoje.
Sempre gostei de ser valorizada assim pela minha família, meus amigos e meus professores. Porque querendo ou não, beleza e bom humor é um dom. Você já nasce com ele. Agora adquirir conhecimento é por via de transpiração. Você tem de correr atrás. Precisa se informar. Conhecer melhor o mundo a sua volta.
Hoje, acho isso uma grande besteira. E provavelmente, ninguém me amou por causa disso. Foi um complexo de inferioridade que eu criei para mim, desde nova. Não sei se Freud explica, mas daria várias sessões de terapia. Eu queria apenas ser amada. Só que resolvi escolher o motivo para vocês sentirem esse afeto por mim. Motivo errado. Mas se as pessoas já erram amando, imaginando aquelas que querem apenas serem amadas.

sábado, 12 de janeiro de 2013

O Impossível



              “Baseados em fatos reais” é o tipo de expressão que me ganha fácil. Sou adepta da ideia de que a vida imita a arte de uma forma essencialmente melhorada. Porque não dizer também perfeita. Assumo que qualquer obra que já venha exibindo essa expressão na sua capa, consegue me prender a atenção.
            O filme “O Impossível” é baseado em fatos reais de uma família que foi passar suas férias na Tailândia. Por infelicidade do destino, na manhã do dia 26 de dezembro de 2004, um tsunami separou a família de forma trágica. Entre cenas agoniantes, sofridas e intensas, além de lutarem para sobreviver, não perderam as esperanças de juntarem sua família.
            Dentre tanto sofrimento, que se via a qualquer lado que olhasse, ainda sobrava espaço para a ajuda e para a compaixão humana. Era o que os restava para se sentirem ainda vivos. Para a maioria das pessoas envolvidas na tragédia, a vida começaria completamente do zero. Sem família, sem casa, sem emprego e uma história terrivelmente triste. O que os mantiveram firmes foram aquela frase básica que toda mãe já falou para um filho, quando ele estava sentindo dor ou medo: “Pense em lembranças boas, que vai passar.”
            O que mais ouvi depois do filme foram: “Impossível não se emocionar” ou “Chorei um tsunami”. Concordo. Mas mais do que isso, é um filme que nos abre os olhos. Será que ajudamos tudo o que está ao nosso alcance? Está aí, a primeira indagação para começarmos 2013.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Stay Strong



Viver é uma questão de rasgar-se e remendar-se.
Guimarães Rosa



Creio que o mais complicado da vida é descobrir realmente quem somos. Mas nada é pior do que chegar a conclusão de que você é seu pior e maior inimigo. Diante disso, a luta contra si mesmo é diária, árdua e sem fim.
Quem já passou por depressão ou por doenças psíquicas parecidas, sabe do que estou falando. Sabe o medo que quase todos têm de morrer sozinho? Depressão é morrer sozinho todo dia.
A pior sensação é querer poder revelar tudo o que está acontecendo, mas não conseguir se expressar de outra forma que não seja o choro.  Todo o sofrimento dentro de si vai se acumulando e se multiplicando de forma assustadora. Quando vê, só resta tristeza e o resto de você.
Eu não tenho dicas de como vencer a depressão. Conheço pouco do assunto, mas já vivi esse inferno. A luta não é fácil, mas é possível. Tudo tem fim, até o sofrimento.
Lembro que uma vez fui conversar com um amigo do quanto é difícil dar o apoio certo para quem sofre disso. As pessoas a sua voltam erram tentando ajudar. Claro, que elas não são obrigadas a saber como lidar com isso. Confesso, que eu também não sei. Mas me recordo, que este amigo, foi o único que agiu da forma que eu esperava. Ou da maneira que me fazia sentir muito bem. Enquanto a maioria das pessoas queriam que na marra eu melhorasse e voltasse a sair,  encontrar meus amigos, como se nada tivesse acontecido; ele apenas me mandava várias mensagens do tipo: “Estou aqui sempre. Quando você estiver a fim de conversar comigo ou quiser me encontrar é só me falar que vou na hora. Não é o momento de desistir. Eu sei que tudo isso vai passar.” Acredito que ele nem imagina que isso foi muito importante para eu continuar.
Tudo hoje passou. As cicatrizes ainda estão visíveis. O medo do retorno persiste, constantemente. Mas é isso. É a luta com aquele mantra diário: “O que não mata me fortalece.”.