No último domingo, eu assisti ao
filme "Somos tão jovens", que retrata o início da
carreira musical do Renato Russo, em Brasília. Não sei se o meio influencia o
homem, mas sua vida brasiliense colaborou muito nas suas criações. O que mais
impressiona foi a sensibilidade para enxergar essa cidade, que para boa parte do
Brasil se resume a hospedar os políticos corruptos. Como se a cidade não
tivesse vida além disso.
Brasília é uma cidade linda! Isso,
graças às obras do Oscar Niemeyer, ao urbanismo do Lúcio Costa, a esse céu
magnífico e às músicas do Renato Russo. "Estou indo pra Brasília,
neste país lugar melhor não há."
Apesar disso, Brasília não é aquele
tipo de lugar que inspira músicos e escritores. Não sei se é pelo senso comum
que eu disse acima. Só sei que não é tão retrata quando outras cidades. Não é
tão Rio de Janeiro, tão São Paulo, tão Bahia... Pode ser também porque a cidade
é tão nova, que ainda não sabe o que quer da vida. Um dia será muito
inspiradora... Renato Russo conseguiu enxergar isso antes de todos.
Pelo que deu para perceber no
filme, porque infelizmente não pude presenciar a carreira do Renato Russo, ele
era uma pessoa com sensibilidade e atitude diferenciada. E que utilizava da
música para expressar tudo aquilo que lhe afligia e precisava compartilhar isso
com as outras pessoas.
Desde o início ele trazia para suas
músicas: críticas à sociedade, ao país e aos políticos... Como entender que
ninguém respeita a Constituição, a lei básica do país, mas acredita no futuro
dessa nação que tinha uma geração Coca-Cola vindo à tona. Além disso,
emocionar-se com a história de João de Santo Cristo, que a história de milhares
de brasileiros, em seus mais de 9 minutos de música e se reconhecer na
música "Eduardo e Mônica", que retrata tantos casais.
Nasci na cidade que ocorreu o
primeiro show do Legião Urbana, Patos de Minas. E praticamente ouço isso do meu
pai desde que eu nasci. Show esse que eles foram presos, e que não teve no
filme. Mas eu entendo, já havia passado algumas cenas em que ele tinha sido
preso. Ia ficar clichê mesmo se tivesse mais uma cena como essa. E hoje moro na
cidade em que ele morou. Estudo na mesma faculdade em que ele estudou. Mas de
longe não tenho a mesma sensibilidade dele para a arte. Só coincidência termos
passado pelos mesmos lugares.
A sensação que tive quando terminou o filme foi: podia ter mais 2
horas de duração, que eu não me cansaria ou me importaria. Pois eu tenho muito
tempo. Tenho todo o tempo do mundo. Temos nosso próprio tempo. Somos tão jovens.










