domingo, 6 de dezembro de 2009

CATALÃO: A SAGA

Como vocês já sabem eu sou uma vestibulanda. Quer dizer, sou não! Estou uma vestibulanda, porque um dia eu tenho de passar no vestibular, certo? Como moro em uma pequena, bem pequena cidade do interior de Minas Gerais, muitas das provas que eu tenho de fazer não acontecem aqui. A narrativa que eu farei para é sobre uma recente viagem que eu e alguns amigos fizemos a Catalão, em virtude da prova da UFG.

Catalão fica mais ou menos 245 km da minha cidade. Viajantes-vestibulandos: Eu, Laís, Lauro e Marcos. Motorista: Diego (irmão do Lauro). A viagem estava indo muito bem, todos conversando alegremente, exalando um pouco da ansiedade sobre a prova. No meio da viagem começa a chover, que já nos faz ficar mais apreensivos. Eu me lembro da reportagem do Jornal Nacional que dizia que em Minas Gerais é o Estado que mais ocorrem acidentes de carros. Rezo para chegarmos em Goiás. Só me faltava lá ser o segundo Estado com mais acidentes! A chuva passou, respiramos aliviados.

Diego resolve expor os seus gostos musicais para a gente: Amado Batista, Dejavu, Eduardo Costa e afins... Como cada um que estava dentro do carro possuía um gosto musical bem diferente do outro, além disso sabemos conviver bem em sociedade, no mesmo minuto que as músicas do nosso motorista começou a tocar cada um pegou seu ipoad com seus respectivos fones de ouvidos e nos isolamos das músicas dele. Era uma cena bem comédia.

Eu não sei bem como, quando e nem porquê, mas teve um momento que o carro apagou. Faltava só 22 km para chegarmos na cidade catalense. Tentávamos entender o que aconteceu com o nosso automóvel, mas nada do que se tentou adiantou. Fizemos o Marcos e o Lauro empurrar o carro por vários metros, e nada. Me fez lembrar das cenas do filme Pequena Miss Sunshine. Um carro para e nos ajuda. No fim, conseguiram uma corda com um paranaense motorista de caminhão, que no início eu e Laís achamos que ele estava com alguns olhares lascívos para nós, e nos deixaram em um buteco de estrada, debaixo de uma Gameleira, enquanto Diego iria a Catalão para conseguir um guincho. Durante a nossa espera por notícias, Lauro que é a personalidade mais dinâmica e engraçada que eu conheço ficou nos contando as histórias de assombrações nas Gameleiras da nossa cidade, imitou um certo asiático que canta músicas estrangeiras... Ou seja, nos acalmou de todo acontecido. Ainda bem que viajamos um dia antes da prova, porque assim deu tempo de arrumar o carro e nos levar para a prova.

Chegando na cidade bem de tardezinha, deixamos o carro no mecânico e fomos para o hotel de caminhão de guincho. Em um lugar que se cabe 3 pessoas, foram 5 pessoas, mais malas. Vale ressaltar que o Lauro mede 1, 97 e fez um acrobacia para caber no carro junto da gente. Enquanto o gentil motorista de guincho nos levava para o hotel ele comentava dos pontos turísticos da cidade. A gente naquele aperto e um cara comentando sobre os pontos turísticos! É dose! Sem contar, que ele olhava para a gente e ria não acreditando que coube todo mundo.

Tirando os pontos dramáticos e engraçados, essa viagem nos provou que ainda existem pessoas boas no mundo, como o cara que parou na estrada para nos ajudar e o motorista do caminhão de guincho. É uma pena, que esse tipo de ação seja intimidada com a maioria das atitudes enganosas que levam a assaltos e a assassinatos em estradas. Quem acredita em Deus, vai dizer que foi ele quem nos ajudou.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

GOOD WRITING IS SEXY

O primeiro contato que tive com a frase "good writing is sexy" foi na comunidade do orkut, de nome homônimo, embora seja na Língua Portuguesa. Reza a lenda que tudo começou devido a uma estampa de camiseta que levava a tal frase. O maior mistério, pelo que eu li nos comentários do fórum da comunidade, é a existência da camisa! Ninguém nunca a viu. Mas, o que sei é que já se têm bastantes adeptos desse movimento em louvor à bela escrita.

No fórum da comunidade há uma enquete sobre o escritor e textos, palavras, frases mais sexies. Sidney Sheldon, Lord Byron, Vladimir Nabokov, Shakespeare, Caio Fernando Abreu, Nelson Rodrigues estão na lista dos mais votados. Vocês devem estar pensando "Mas, tal escritor é feio demais para ser considerado sexy!". Eu também acho que alguns não exalam beleza exterior, mas o que está na proposta são os escritos deles e não a beleza física (ou falta dela). Há casos que a feiúra de alguns é substituída pela beleza de seus textos. É, porque considerar o Camões sexy só se for por causa da poesia dele. Mas, se talvez você leitor, achar atraente homem com um olho só, vá em frente!

Resolvi fazer uma lista dos escritores mais sexies que eu conheço, seja pela escrita, seja pela aparência física!

Em primeiro lugar, Chico Buarque ganha com vantagem de todos os escritores que eu conheço até o momento. Ele maneja as palavras tão bem, tudo o que escreve fica tão bonito! Ele é o Oscar Niemeyer das palavras.


Em segundo lugar está ele, que é mais conhecido como "o marido da Malu Mader", Tony Bellotto. Além de ser um homem atraente, saber tocar guitarra, cozinhar divinamente (tudo bem que eu nunca provei, mas já li relatos sobre); ele ainda escreve bem. É até covardia com os outros homens a existência de um cara tão perfeito assim, né? Eu nunca li nenhum livro dele, mas acompanho semanalmente o blog dele no site da Veja.


Em terceiro lugar está o poetinha, boêmio incurável, Vinícius de Moraes. Indubitavelmente ele é sexy. Ele se casou 9 vezes, como dizem por aí a mãe dele em vez de passar talco, passou mel no garoto. Agradou, com suas poesias e letras de música, as mais diversas gerações.


É claro que não poderia faltar ele o todo-poderoso-das-blogueiras: Antonio Prata. Sabe como ninguém relatar as situações mais simples do cotidiano com humor, ironia e beleza. Ele é uma das maiores influências na escrita que nós jovens temos. A fama dele começou porque ele era colunista da Capricho. Com isso ele conquistou um contigente de fãs, que mesmo com sua saída da revista seguem ele por onde vai, ou seja no Estadão.

Eu gostaria muito de saber, quem vocês acham o escritor mais sexy.

sábado, 7 de novembro de 2009



Patos de Minas, 11 de outubro de 2009

Ana Paula,

Quando eu te conheci a primeira impressão que tive sua, era de uma garota calada e tímida. Daquelas meninas que nem respiram com medo de chamar a atenção das pessoas a sua volta. Mas, como diz o escritor e todo-poderoso-das-blogueiras Antonio Prata: "A primeira impressão é a que fica – para trás", tudo o que eu pensei sobre você não era a realidade. Ainda bem que você não era assim. Porque, cá entre nós, o seu jeito de ser é infinitamente melhor do que qualquer maneira que eu te imaginasse.

Não sei se é coincidência, ou se devemos acreditar que os nomes influenciam em nossa personalidade. Não sei se você é tão cheia de graça por se chamar Ana. Ou por você ser tão cheia de graça foi chamada de Ana.

Nós duas nos parecemos muito pela vontade de querer mostrar ao mundo que nós somos mulheres de opinião e para acrescentar temos gênio forte. E para aqueles que, algum dia, nos rotularam como "pessoas do contra", só posso responder com uma citação: "Cabeças vazias têm grande facilidade em balançar para cima e para baixo, em sinal de sim."

Sinto muita falta dos momentos que nós conversávamos sobre tudo, nada escapava a nossa língua afiada e a nossos pensamentos irônicos. Podíamos falar o que quiséssemos que não sofreríamos qualquer censura uma da outra. Sem você aqui perto de mim recorro ao apogeu da loucura e converso sozinha, porque não há ninguém nesse universo que me deixa tão à vontade para prosear como você.

Ouço um nome estranho e penso: "A Ana Paulinha riria comigo se ouvisse isso!". Se alguém fala de Diamantina, João Pinheiro e Capelinha, adivinha qual a primeira pessoa que vem a minha cabeça? Quando alguém me pergunta: "Kamilla, com quem você aprendeu fazer tal coisa em Química, Física e Matemática?" Eu respondo: "Com a minha amiga Ana Paulinha".

Como nós já fizemos a nossa lista de coisas-para-fazer-antes-de-morrer, temos e teremos muitas histórias para contar para os nossos bisnetos (é amiga, hoje com a longevidade do brasileiro nem são mais histórias para contar para os netos). Já imagino a nossa viagem para Itália e Alemanha, preciso acrescentar que poderíamos dar uma passadinha em Barcelona, porque vi um filme que se passa lá e me apaixonei pelo lugar, tenho certeza que você também irá amar.

Esta carta deveria ser enviada no dia do seu aniversário, mas por motivos de forças maiores: meus desumanos vestibulares, ela chegará a seu destino bem antes da data correta. Eu sei que você compreende essa minha antecedência. Dia 21 de novembro é tão importante para mim quanto o meu próprio aniversário, porque nesse dia nasceu umas das pessoas de que me mais gosto, aprecio, admiro e que faz parte da minha história. Eu lhe dou os "Parabéns" e lhe agradeço o presente da sua existência na minha vida.


Com carinho,


Kamilla Barcelos (ou simplesmente Barcelos)

sábado, 10 de outubro de 2009

RECEITA DE BOLO? ME DÁ UM PEDAÇO?


Rio de Janeiro, sol, mar, praia, Bossa Nova, cariocas bem nascidos, relacionamentos conturbados, momentos cults, poesias, notícias de jornal, Helenas aqui, José Mayer acolá... Eu só poderia estar falando das novelas do Manoel Carlos. Se elas são escritas como uma receita de bolo, com fórmula pronta, como a maioria dos telespectadores critica, então me dá um pedaço que eu quero degustar.

Eu, como a maioria dos brasileiros, gosto de novela. Eu repito e digo: gosto de novela. Logo, estão descartadas as "novelas" do Aguinaldo Silva, Glória Perez e Carlos Lombardi.

Ao mesmo tempo que nós gostamos de ver a realidade escancarada na televisão, também apreciamos uma pitada de sonho. Sabe como isso chama? Verossimilhança: o que não ocorre com frequência na vida real, mas poderia acontecer. Esse é o segredo do Manoel Carlos. Além disso, o escritor já disse mais de mil vezes que só escreve sobre aquilo que ele conhece e faz parte da sua vida. Ele nunca teve a pretensão de relatar sobre as classe sociais que ele não tem tanto conhecimento. Como diz uma amiga minha: "Se eu quiser ver pobreza eu vejo o Jornal Nacional, programa do Datena ou Casos de Família." Quem sou para discordar? Acho engraçado que os personagens manelescos quando nunca chamam algum companheiro para "tomar uma depois do trabalho", sempre "tomam um drink depois do trabalho".

Eu suspiro com as novelas dele como a moçoilas do século 19 com os livros do Romantismo. Pode estar passando na televisão a cena mais simples do mundo de personagens tomando café da manhã, tudo parecendo tão normal, quando eles proferem aquelas frases de efeito que só o Maneco sabe escrever. Só disso que eu preciso para me emocionar, mais nada!

Para quem acha que as novelas dele estão passando por um período de gloriaperização, por ter viagens internacionais, a culpa não é do escritor. A Globo "incentiva" que a maioria das novelas tenham passagens no exterior.

Só para constar o único defeito das novelas dele são os títulos. Eu esperaria dele algo mais criativo. Tudo bem, nem tudo pode ser perfeito!

sábado, 3 de outubro de 2009

SAT NO PAÍS DO PAU-BRASIL EXTINTO


Eu só tenho uma dica para dar para vocês: não mexam com um vestibulando! É nesse momento da vida que estamos a flor da pele e qualquer palavra mal colocada pode provocar a nossa ira. Isso se deve a carga horária dos nossos estudos na escola/cursinho que já é extensa, mas é claro que precisamos estudar muito mais em casa. Para quem vai pleitear um curso concorrido não adianta desmentir, nós vivemos para passar no vestibular. É claro que a gente escuta música também: de vestibular. Lemos livros: de vestibular. Assistimos a filmes: de vestibular. Namoramos o vestibular. Ok, eu exagerei, mas o nosso universo é mais ou menos esse.


Quando temos uma prova a ser realizada nós organizamos tudo: a que horas a gente vai chegar para realizar o teste, qual a roupa mais confortável, alimentação leve, caneta que o vestibular exige, os documentos que é preciso apresentar no dia. Ordenamos o nosso cronograma da semana inteira, para que no fim de semana estejamos aptos para fazer uma boa prova.


Com a prova do ENEM não foi diferente, talvez foi até mais intenso a nossa preparação porque especialmente este ano o governo federal resolveu modificar a prova. Bem este ano!


Ao chegar as sete horas da manhã em uma plena quinta-feira, no cursinho, meus colegas vem me falar que a prova do ENEM foi adiada. Eu como a maioria achou que era pegadinha, RÁ! Mas, não era. E o pior foi adiada por suspeita de fraude. Como que eles querem que acreditamos nessa mudança e que o exame será parecido com o SAT? Se antes já tínhamos dúvidas a respeito do conteúdo a ser cobrado na prova, temos questionamentos se realmente as faculdades vão utilizar a nota da prova nos seus processos seletivos, se a prova coincidirá com os outros vestibulares e se ela estará guardada em sigilo (que é como deve ser).


Obrigada, ministro por querer fazer essa revolução no exame bem quando eu preciso muito passar no vestibular! Obrigada pessoa que fraudulou a prova de mais de 4 milhões de estudantes que já tinham-se organizados para realizá-la neste fim de semana e que dependem muito dela para entrar em um faculdade! O que nós vestibulandos não precisávamos era de mais preocupação na vida. Já temos em excesso!