Como vocês já sabem eu sou uma vestibulanda. Quer dizer, sou não! Estou uma vestibulanda, porque um dia eu tenho de passar no vestibular, certo? Como moro em uma pequena, bem pequena cidade do interior de Minas Gerais, muitas das provas que eu tenho de fazer não acontecem aqui. A narrativa que eu farei para é sobre uma recente viagem que eu e alguns amigos fizemos a Catalão, em virtude da prova da UFG.
Catalão fica mais ou menos 245 km da minha cidade. Viajantes-vestibulandos: Eu, Laís, Lauro e Marcos. Motorista: Diego (irmão do Lauro). A viagem estava indo muito bem, todos conversando alegremente, exalando um pouco da ansiedade sobre a prova. No meio da viagem começa a chover, que já nos faz ficar mais apreensivos. Eu me lembro da reportagem do Jornal Nacional que dizia que em Minas Gerais é o Estado que mais ocorrem acidentes de carros. Rezo para chegarmos em Goiás. Só me faltava lá ser o segundo Estado com mais acidentes! A chuva passou, respiramos aliviados.
Diego resolve expor os seus gostos musicais para a gente: Amado Batista, Dejavu, Eduardo Costa e afins... Como cada um que estava dentro do carro possuía um gosto musical bem diferente do outro, além disso sabemos conviver bem em sociedade, no mesmo minuto que as músicas do nosso motorista começou a tocar cada um pegou seu ipoad com seus respectivos fones de ouvidos e nos isolamos das músicas dele. Era uma cena bem comédia.
Eu não sei bem como, quando e nem porquê, mas teve um momento que o carro apagou. Faltava só 22 km para chegarmos na cidade catalense. Tentávamos entender o que aconteceu com o nosso automóvel, mas nada do que se tentou adiantou. Fizemos o Marcos e o Lauro empurrar o carro por vários metros, e nada. Me fez lembrar das cenas do filme Pequena Miss Sunshine. Um carro para e nos ajuda. No fim, conseguiram uma corda com um paranaense motorista de caminhão, que no início eu e Laís achamos que ele estava com alguns olhares lascívos para nós, e nos deixaram em um buteco de estrada, debaixo de uma Gameleira, enquanto Diego iria a Catalão para conseguir um guincho. Durante a nossa espera por notícias, Lauro que é a personalidade mais dinâmica e engraçada que eu conheço ficou nos contando as histórias de assombrações nas Gameleiras da nossa cidade, imitou um certo asiático que canta músicas estrangeiras... Ou seja, nos acalmou de todo acontecido. Ainda bem que viajamos um dia antes da prova, porque assim deu tempo de arrumar o carro e nos levar para a prova.
Chegando na cidade bem de tardezinha, deixamos o carro no mecânico e fomos para o hotel de caminhão de guincho. Em um lugar que se cabe 3 pessoas, foram 5 pessoas, mais malas. Vale ressaltar que o Lauro mede 1, 97 e fez um acrobacia para caber no carro junto da gente. Enquanto o gentil motorista de guincho nos levava para o hotel ele comentava dos pontos turísticos da cidade. A gente naquele aperto e um cara comentando sobre os pontos turísticos! É dose! Sem contar, que ele olhava para a gente e ria não acreditando que coube todo mundo.
Tirando os pontos dramáticos e engraçados, essa viagem nos provou que ainda existem pessoas boas no mundo, como o cara que parou na estrada para nos ajudar e o motorista do caminhão de guincho. É uma pena, que esse tipo de ação seja intimidada com a maioria das atitudes enganosas que levam a assaltos e a assassinatos em estradas. Quem acredita em Deus, vai dizer que foi ele quem nos ajudou.



