sábado, 4 de fevereiro de 2012

Hoje eu passei batom vermelho


De repente, aquela garota meio estranha, desengonçada e lunática vira uma bela moça. Foi assim que Mallu Magalhães sambou na cara de todo mundo no seu novo clipe "Velha e Louca", que por sinal é belíssimo. Eu não sei bem quando isso aconteceu, mas me pegou de surpresa. Demorei um bom tempo a aceitar toda essa mudança.

Nunca acompanhei a carreira dela, por vários motivos: não gostava das suas músicas, eu tinha vergonha alheia ao assistir suas entrevistas e achava seu namoro com o Marcelo Camelo uma maluquice. Confesso, fui extremamente injusta com ela, para não dizer cruel. Há alguns anos, eu achava que suas músicas exalavam uma infantilidade que não me comovia. Eu queria entender o que ela pretendia não respondendo nada de coeso nas suas entrevistas. Marcelo Coelho além de feio, fazia parte da banda Los Hermanos (desculpa, mas não me desce essa banda). Péssimo julgamento que eu fazia dela. Olha que eu fazia esse tipo de comentário, até nos meus dias felizes. Não só naqueles que eu acordo totalitária e quero que todos ouçam o que eu gosto.



Não que eu me arrependo do que eu pensava a seu respeito, mas acho que fui longe demais. Ela tinha apenas 15 anos. Se fosse só de mim que ela recebia essas críticas, estava bom. Mas era do Brasil todo. Não deve ter sido fácil.

Ainda acho que suas músicas daquela época não eram boas. Ponto. Se ela quer dar entrevista fazendo monólogo, cantando, dançando, brincando de amarelinha... é problema dela.  Eu não tinha nada a ver com isso, apesar que eu achava que ela perdia muito com isso. Se eu achava o casal Mallu-Marcelo o mais nada a ver do mundo, aí que eu não tinha nada a ver mesmo. Ponto. (eu não ia tão longe, igual a alguns que falavam que era pedofilia). Penso que essa época para ela não deve ter sido nada fácil. Se ela superou, eu não sei. Tudo indica que sim, porque ela voltou linda, linda com o novo CD. E o melhor: as músicas são ótimas.

Li umas entrevistas dela, recentemente, e mudei meu julgamento. Ela continua nonsense, mas poeticamente nonsense. Uma fofa. Fala se você não se encantaria com alguém que gosta é de ficar em casa, compondo, pintando, bordando, arrumando a horta e brincando com o seu gato. Muito bucólico para uma jovem de 19 anos. Ela tem um perfumado jeitinho irreverente de ser.

Parece que ela não se vê como uma pessoa famosa. A vida dela é diferente. Os sonhos. Ela é diferente. Não dá para comparar, nem julgar, só entrar em estado de graça ao ouvi-la cantar docemente e pensar: tão amor, mas tão forte com suas convicções.

Aquela música "Velha e Louca" eu vou passar a usar como meu mantra. Quem sabe eu seria a  próxima a dar um tapa na cara da sociedade com uma mudança de visual de deixar todos de queixos caídos. Quem sabe...


Nem vem tirar
Meu riso frouxo com algum conselho
Que hoje eu passei batom vermelho,
Eu tenho tido a alegria como dom
Em cada canto eu vejo o lado bom.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Key West

Key West é conhecida por estar apenas a 90 milhas de Cuba. Diariamente ocorre o Sunset Celebration, que é um ritual para celebrar o pôr-do-sol. Meio "Cidades do Anjos", em que os anjos fazem isso com o nascer e o crepúsculo. Não pude participar.


As construções são arcaicas. Iguais a que vemos nos filmes: casas de madeira e com sótão. Uma graça! Creio que todos ficam encantados quando vão lá. Tanto que o escritor Ernest Hemingway foi seu morador. Durante sua morada escreveu os livos:  “Adeus às Armas”, ‘Ter e Não Ter” e “Por Quem os Sinos Dobram”. Quem visita Key West entende o porquê dele ter sido seu morador. Todos os cantos são inspiradores. 

Com o cancelamento do voo, que eu narrei aqui, perdemos  a reserva no hotel e um dia inteiro por lá. Como não queríamos perder o passeio, tentamos passar uma parte do dia, que infelizmente foi pequeno. Gastamos muito tempo na estrada. Quase durante todo o tempo a pista era única. Quero voltar, de novo. Já vou colocar na minha lista de resoluções do futuro.

Miami

Cheguei às 5 da manhã em Miami e dentro do avião descubro que está fazendo 10ºC. Saio do aeroporto e quase morro congelada. Lá eu descobri o porquê de nos filmes americanos as crianças têm bochechas rosadas: frio. Eu, uma pessoa, chamada várias vezes de pálida pela minha mãe, fiquei corada por lá.

Eu defino Miami como Brasília Glamourosa. Ruas largas e impecáveis quase ninguém anda a pé, calçadas vazias e ruas lotadas de carros. Eu não sei bem como definir a sensação de estar do lado de Ferrari, BMW e limusines a todo tempo.

Fiquei na dúvida de qual seja a sua língua oficial. Por estar nos EUA seria o inglês, mas o espanhol é fortíssimo por lá. Aliás, era uma loucura os diálogos que travei por lá. Eu começava falando o meu mal inglês, sabiamente o meu interlocutor me respondia em seu espanhol. Se eu dissesse que era brasileira, eles ainda tentavam em português algumas palavrinhas.


Em muitos momentos da viagem, senti-me no Brasil. Todo momento nos esbarrávamos em brasileiros. Pelo menos o tratamento que recebíamos dos vendedores era excepcional. E pensar que no passado, nossa visita aos EUA era regada a certo desprezo pelos norte-americanos. Mudanças na economia, acontecem, Só queria deixar registrado que quando entrei em território americano, na imigração, falaram comigo metade espanhol, metade português. Isso no passado não aconteceria nem nos sonhos.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O voo que não foi

Na véspera do dia 2 de janeiro, eu estava ansiosa e me preparando para viajar a Miami. Usei a estratégia de levar poucas peças de roupas para caber mais compras na mala. Classe média, vocês sabem...

Na manhã do dia 2, acordei cedo e fui para o aeroporto, pois o voo estava marcado para as 10h50. Seria a minha primeira viagem internacional. Seria a minha primeira viagem de avião. Caipira, vocês sabem...

Vi a sala de espera ficar cheia rapidamente, sobretudo de crianças. Miami perto de Orlando, Disney World, férias; vocês sabem...

O relógio marcou 11h e nada de embarcamos. Ao meio-dia, o piloto falou em inglês que o avião estava com um problema. Tentou consertá-lo, mas não conseguiu. Apesar de que ele considerava que isso não impediria e  não seria um risco para a viagem. Mas a companhia aérea não autorizou. Isso eu não a crítico, no entanto, o fato deles cancelarem o voo e mandarem todos de volta para suas respectivas residências, foi de matar. Claro que não fomos. Ninguém estava ali sem um propósito. Todos queríamos viajar, tínhamos programado, oras.

Seguimos as orientações deles de ligarem para o número da companhia aérea para tentarmos remarcar a viagem. Eles queriam arrumar bilhetes aéreos para o dia 11 de janeiro. Claro, meus senhores, todos temos férias ilimitadas que podemos tirar conforme as companhias aéreas desejam.

Fomos para o saguão, de frente à companhia, que havia formado uma enorme e confusa fila. Para completar tudo, o sistema da empresa aérea saiu do ar. Funcionários sem saber o que fazer, passageiros furando fila, gente estressada, fome, decepção... Talvez  aqui caiba a definição de caminho para o inferno.

Saldo final do dia:11 horas no aeroporto. Conseguimos remarcar nossa viagem para o dia seguinte,  por outra companhia aérea.

Dia 3 de janeiro, fomos lindos e sorridentes novamente para o aeroporto. Dessa vez o voo estava marcado para às 18h. Não seria mais direto Brasília-Miami, sim Brasília-São Paulo-Miami. Só que na hora do chek in, a passagem do meu primo deu problema devido ao cancelamento do dia anterior e o escritório da companhia aérea responsável estava fechado. O único jeito era tentar resolver por ligação. Vocês sabem o quanto é rápido resolver qualquer coisa via telemarketing, só que ao contrário. Perdemos o voo das 18h e ficamos com medo de perder os bilhetes para a Miami. Por sorte tinha outro voo às 19h30. Conseguimos resolver o problema da passagem do meu primo. Fomos fazer chek in de novo e BINGO: a minha passagem deu problema, não tinha o trajeto São Paulo-Miami, só Brasília-São Paulo. Só que não havia tempo para pedir mudança, ou eu viajava ou perdia o voo, daí só no dia seguinte. Enfim, fui para a São Paulo, sem saber se conseguiria ir para Miami.

Enfim, consegui viajar. Deu tudo certo, tanto que haverá uma série de textos sobre a viagem.. Só que eu não sabia que havia a maldição da viagem para Miami, que na primeira vez sempre dá problemas, atrasos e afins não é Luisa Pinheiro?

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Vivendo e arrependendo

Eu olho para trás e me arrependo de muita coisa. Muita coisa. Isso porque daqui alguns meses faço só 21 anos. Digamos que nem vida direito eu tenho para ter tanto peso na consciência, mas acho que é assim que a minha mente neurótica trabalha constantemente. É esse o peso do perfeccionismo que eu pago desde nova. Confesso, eu até gostaria de não levar a vida tão a sério e todas aquelas dicas de livros de autoajuda. Não dou conta.

Já pararam para pensar que enquanto alguém está vivendo uma vida adoidado, tem outra pessoa se preocupando com o que ela faz e as consequências de suas atitudes? Na minha teoria, viver a vida sem se preocupar é uma forma de egoísmo em relação às pessoas a sua volta. Se bem que se eu for calcular o tanto que sou metódica, preocupada e perfeccionista, devo ter uma legião de gente despreocupada perto de mim para valer tamanha preocupação que levo comigo. Se é que existe esse equilíbrio ou essa proporcionalidade entre preocupados e não-preocupados no mundo... Quando vão parar de dizer que ser assim é ser bem resolvido?

Vocês até podem me dizer que não levam a vida a sério. Eu vou aceitar, torcendo o nariz, mas vou. Por favor, só não me digam que não se arrependem de nada que fizeram em suas respectivas vidas. Vou pensar que vocês só fizeram coisas certas sempre. Eu poderia pensar também que vocês até erraram, mas não se importam com isso, não se importam com as consequências de seus atos errôneos. Os primeiros tipos são de pessoas perfeitas, que não erram, nem existem; logo acabo de riscar essa possibilidade. Os segundos tipos de pessoas, eu nem sei denominar. Só digo que não gosto muito.

Eu me arrependo muito de atos passados. Claro, que não faço disso uma penitência, porque afinal é passado e eu não tenho como consertar. Mas utilizo esses erros como experiência, como história de vida. Admitir que se arrepende de algo é demonstrar que aceita o erro e se tivesse uma nova oportunidade, faria diferente. Por isso tenho medo de pessoas que dizem não se arrepender de nada. Quando elas falam isso, admitem que o que fizeram foi certo e adequado. Ou são orgulhosas o suficiente para não admitir equívocos. Eu me arrependo de muita coisa. Faria muita coisa diferente. Mas aceito os meus erros como experiências, faço do meu remorso minha pena e trampolim para novos acertos.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Olhos nos olhos

_Oi, tudo bem?
_Tudo, e você?
_Bem também. Você está sumida.
_É, a faculdade estava tomando muito do meu tempo.
_Você sempre foi uma nerd. Viciada em estudos.
_Pois é.
_Você nunca mais me procurou.
_Eu estava sem tempo.
_Eu sei disso. Mas quando você queria, você arrumava tempo.
_Naquela época eu achava que fazer isso valeria a pena.
_Hoje não vale mais?
_Não.
_Eu tinha me esquecido dessa sua sinceridade. Por que não vale a pena mais?
_Porque eu não acredito na mudança de pessoas. Apenas que elas amadurecem com o tempo. E como eu disse, eu estou sem tempo. Você está faltando amadurecer muito. Pena que demorei a perceber isso.
_Eu não sei porque você está me tratando assim.
_É, você continua o mesmo. Sempre sem entender nada do que está acontecendo. Talvez esteja aí o nosso problema. Nós nunca nos entendemos.
_Talvez você queria de mim aquilo que eu não poderia te dar.
_Ah, agora sim concordamos. Realmente, eu esperava muito de você. Eu sempre soube o que eu queria. Já você, queria todas ao mesmo tempo. E eu esperando por você, quando você me chamasse.
_Não era assim. Eu gostava de verdade era de você, não delas.
_Eu gostava só de você. Eu queria só você. Viu a diferença considerável?
_E não quer mais?
_Por favor, né? Eu tenho amor-próprio.
_Não foi isso que eu perguntei. Eu perguntei se você ainda gosta de mim.
_Mesmo se eu gostasse, eu faria de tudo para não gostar de você.
_Eu faria de tudo para você voltar a gostar de mim, como antes.
_Eu acho que já passou da hora. Sinceramente, acho que você nunca gostou de mim. Só gostava da minha disponibilidade. Sempre disponível para quando você quisesse. De repente, parei com isso e você sentiu minha falta. Minha falta não, mas da posse que você tinha de mim. É isso.
_Você está viajando. Não tem nada a ver. Eu sempre gostei de você, mas do meu jeito.
_Desse seu jeito nunca me serviu.

sábado, 19 de novembro de 2011

Preciso dizer que te amo

_Você lembra da gente há três meses?
_Lembro. Foi quando começamos a ficar juntos.
_É. Eu estava caidinho por você. Não que hoje eu não esteja mais.
_Eu já gostava de você também.
_Não do mesmo tanto que eu gostava.
_ É, eu sei.
_Não precisa ficar assim. Nunca cobrei nada de você. E sempre achei que cada um tem o seu tempo para amar alguém. Tá que você foi meio lerdinha, mas tudo bem. Brincadeira! Eu soube te esperar.
_ Que bom que você não desistiu.
_ Você não faz ideia do quanto valeu a pena. Gosto de olhar para trás e perceber tudo o que mudou entre nós.
_É? Me diga o quê mudou?
_Seu beijo, seu abraço, seu olhar, suas palavras e até com o sexo mudou.
_Ah, que mentira! Aposto que continuam iguais.
_Não senhora. Seus beijos, seus abraços e no sexo de três meses atrás eram apenas um ritual com sentimento contido. Ou sentimento incipiente. Suas palavras e seus olhares eram apenas por simpatia por mim. Nunca reclamei disso, porque na época eu achava que isso era o seu melhor. Ah, mas hoje, eu percebo que tudo é diferente. Não queria me gabar não, mas acho que agora é você que está caidinha por mim.
_Para, seu bobo!
_Eu também te amo.
_Não o tanto que eu te amo.
_Diminuiu um pouquinho, confesso. É porque já estou gastando o meu amor por você, há três meses. Por isso você me ama mais. Não precisa me bater, é brincadeira de novo. Você não tem ideia do tanto que me deixa feliz ouvir isso de você.