terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Patos de Minas, 11 de dezembro de 2009

Papai Noel,

Faz muito tempo que não te mando nenhuma carta, talvez por eu achar que já estou bem grandinha para tal atitude. Eu compreendo que eu não possa te visitar, nem que seja no Shopping que você trabalha e sentar no seu colo, porque como já disse já estou grandinha e não seria moralmente aceito pela sociedade, se é que o senhor me entende. Mas, acho que com essa carta não teria nada de errado ou imoral. Talvez possa ser uma pouco infantil, mas o senhor trabalha com crianças, logo saberá lidar com isso.

Desde os meus 5 anos, eu já sabia que não era o senhor que me mandava as bonecas e os livros que eu pedia, sim o meu pai e a minha mãe. Sabe quem me contou isso? O meu irmão mais velho. Acho que ele não queria que eu continuasse ingênua ou sendo a criança paparicada pelos adultos. O Papai Noel não teria dinheiro para comprar todos os presentes do mundo. Como eu não tinha pensado nisso sozinha. Precisei do meu irmão mais velho me contar isso!

Sinceramente, não sei se me comportei bem esse ano. Devo ter mentido algumas vez aqui, estressado outra acolá. Mas, o senhor quer o quê? Eu sou humana e tenho as minhas imperfeições. Se fosse para eu ser bem comportada eu seria uma santa, e se o senhor não sabe as santas são tão perfeitas que não pedem nada, só agradecem tudo o que já receberam.

Não quero pedir bonecas, porque já passei da idade para gostar desse tipo de brincadeira. Nem roupas, nem livros, nem computador... Esqueci que já me contaram que não é o senhor que dá esse tipo de coisa! Acho que o senhor é, então, o responsável por espalhar paz, esperança, justiça, saúde no mundo, não é? Por que se não for o senhor quem é que faz isso? O Coelhinho da Páscoa que não é!

Eu me abstenho de pedir paz para mim, porque acho que as crianças afegãs, israelenses e cariocas precisam mais dela do que mim que moro em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais.

Saúde eu também não vou pedir mais, se puder peço que o senhor só mantenha a cota destinada a mim que já está ótimo. Um resfriado safado, um cansaço preguiçoso, uma dor de cabeça leve por causa do estresse diário, tudo bem! Além disso eu tenho Plano de Saúde. Mande saúde para as crianças que de tão fraquinhas morrem por causa de doenças que para nós da classe favorecida só dão um leve mal-estar e para aquelas que ficam em filas gigantescas no Hospital Público.

Agora que dispensei alguns pedidos que eu sei que seriam mais úteis para outras pessoas, vou fazer um pedido que pode ser um tanto quanto egoísta aos olhos dos outros. Mas, como eu já lhe disse eu sou humana e não santa. O meu único pedido é que eu passe no vestibular. Não vai pensando que será fácil, porque eu não estou pedindo uma vaga em uma particular, federal, meu bom velhinho! Eu estudei muito durante esse ano, esforcei-me! Se o senhor puder me dar um empurrãozinho, eu agradeço. Para quem espalha, paz, alegria, justiça e esperança no mundo, uma vaga em uma federal nem deve ser tão difícil.

Respeitosamente,

Kamilla Barcelos

domingo, 6 de dezembro de 2009

CATALÃO: A SAGA

Como vocês já sabem eu sou uma vestibulanda. Quer dizer, sou não! Estou uma vestibulanda, porque um dia eu tenho de passar no vestibular, certo? Como moro em uma pequena, bem pequena cidade do interior de Minas Gerais, muitas das provas que eu tenho de fazer não acontecem aqui. A narrativa que eu farei para é sobre uma recente viagem que eu e alguns amigos fizemos a Catalão, em virtude da prova da UFG.

Catalão fica mais ou menos 245 km da minha cidade. Viajantes-vestibulandos: Eu, Laís, Lauro e Marcos. Motorista: Diego (irmão do Lauro). A viagem estava indo muito bem, todos conversando alegremente, exalando um pouco da ansiedade sobre a prova. No meio da viagem começa a chover, que já nos faz ficar mais apreensivos. Eu me lembro da reportagem do Jornal Nacional que dizia que em Minas Gerais é o Estado que mais ocorrem acidentes de carros. Rezo para chegarmos em Goiás. Só me faltava lá ser o segundo Estado com mais acidentes! A chuva passou, respiramos aliviados.

Diego resolve expor os seus gostos musicais para a gente: Amado Batista, Dejavu, Eduardo Costa e afins... Como cada um que estava dentro do carro possuía um gosto musical bem diferente do outro, além disso sabemos conviver bem em sociedade, no mesmo minuto que as músicas do nosso motorista começou a tocar cada um pegou seu ipoad com seus respectivos fones de ouvidos e nos isolamos das músicas dele. Era uma cena bem comédia.

Eu não sei bem como, quando e nem porquê, mas teve um momento que o carro apagou. Faltava só 22 km para chegarmos na cidade catalense. Tentávamos entender o que aconteceu com o nosso automóvel, mas nada do que se tentou adiantou. Fizemos o Marcos e o Lauro empurrar o carro por vários metros, e nada. Me fez lembrar das cenas do filme Pequena Miss Sunshine. Um carro para e nos ajuda. No fim, conseguiram uma corda com um paranaense motorista de caminhão, que no início eu e Laís achamos que ele estava com alguns olhares lascívos para nós, e nos deixaram em um buteco de estrada, debaixo de uma Gameleira, enquanto Diego iria a Catalão para conseguir um guincho. Durante a nossa espera por notícias, Lauro que é a personalidade mais dinâmica e engraçada que eu conheço ficou nos contando as histórias de assombrações nas Gameleiras da nossa cidade, imitou um certo asiático que canta músicas estrangeiras... Ou seja, nos acalmou de todo acontecido. Ainda bem que viajamos um dia antes da prova, porque assim deu tempo de arrumar o carro e nos levar para a prova.

Chegando na cidade bem de tardezinha, deixamos o carro no mecânico e fomos para o hotel de caminhão de guincho. Em um lugar que se cabe 3 pessoas, foram 5 pessoas, mais malas. Vale ressaltar que o Lauro mede 1, 97 e fez um acrobacia para caber no carro junto da gente. Enquanto o gentil motorista de guincho nos levava para o hotel ele comentava dos pontos turísticos da cidade. A gente naquele aperto e um cara comentando sobre os pontos turísticos! É dose! Sem contar, que ele olhava para a gente e ria não acreditando que coube todo mundo.

Tirando os pontos dramáticos e engraçados, essa viagem nos provou que ainda existem pessoas boas no mundo, como o cara que parou na estrada para nos ajudar e o motorista do caminhão de guincho. É uma pena, que esse tipo de ação seja intimidada com a maioria das atitudes enganosas que levam a assaltos e a assassinatos em estradas. Quem acredita em Deus, vai dizer que foi ele quem nos ajudou.