Eu cresci ouvindo que temos de respeitar como cada um é. A verdade é que fui enganada. É pura ilusão e história para boi dormir. Enquanto os adultos me diziam isso, eles tentavam me moldar do jeito que a sociedade quer. Eu sinto um grande peso nos ombros em relação às pressões sociais, por exemplo: eu não gosto de festas, não bebo, interesso-me por assuntos que quase ninguém gosta, tenho opiniões um tanto quanto polêmicas, quase não me socializo, gasto quase todo o meu tempo lendo e infelizmente eu adquiri uma maturidade que quase ninguém da minha idade tem. Sabe o que isso significa? Que eu não só estou longe dos padrões sociais, como me tornei uma excluída do mundo, que nem ONG para defender meus direitos, eu tenho, nem ninguém que sofra do mesmo mal para compartilhar dessa injustiça.
Eu acreditei que eu poderia ser quem eu quisesse e que eu ainda teria o meu espaço na sociedade. Não tenho. Quanto a isso eu não importo, porque de fato eu não gosto de convenções sociais e sempre quis ficar longe delas. O problema são as pessoas que me pressionam a integrar esse mundo que eu acho chato, cansativo e... chato, porque é muito chatice para um lugar só! E não é qualquer pressão que sofro: é da família, escola, amigos, faculdade, colegas, professores, psicólogos, psiquiatras... do mundo! Só quero saber, como que faço para exigir danos morais. Haja antidepressivo, chocolate e lágrimas.
Quanto mais opressão eu sofro, mais e mais eu me afasto das pessoas. Tanto que eu acho um futuro bem promissor para mim viver reclusa a la J.D. Salinger. É a única solução que eu consigo enxergar.
Confesso que há momentos (leia-se: crises existenciais) que eu até penso em mudar o meu jeito de ser, finalmente agradar a todos e fazer parte desse circo. Mas é mais forte do que eu. Não vou lutar contra a minha natureza. Gente, eu não sou feliz do jeito que vocês querem que eu seja! E também com essa pressão, quem é?
Será que as pessoas que me violentam dessa forma, nunca pararam para pensar que eu talvez quisessem que elas fossem diferentes? Só que eu não pressiono ninguém quanto isso e nem tenho apelo popular para fazer lavagem cerebral com mais força, como elas fazem.
Não estou lutando contra Durkheim e seus fatos sociais, porque essa teoria é tão verdade, que eu sofro por não me adequar à sociedade. Sofro sanções espontâneas como se não houvesse amanhã e eu não tivesse sentimentos.
Eu me sinto sozinha. De uma forma que nem a galera do #foreveralone pode saber. Eu só queria viver do jeito que eu sou: lendo livros, vendo filmes, lendo a Folha de S.Paulo, estudando e comendo chocolate. E eu sei que o que eu quero não é pedir demais.
24 comentários:
Poxa Kamilla, me vi tanto nesse seu desabafo... como é difícil conviver com a pressão, não é? Às vezes dá uma vontade louca de desistir, mas não dá pra desistir de sermos nós mesmos. Por isso que eu decidi me afastar de quem me fazia mal e estou bem melhor agora. E eu também já tentei mudar meu jeito, mas nunca dá certo. As pessoas são o que são e pronto! Só nos resta selecionar quem queremos perto de nós e tentar ignorar as pressões e julgamentos. É um longo processo, mas vale a pena. Um beijo e boa sorte pra nós!
É difícil mesmo aguentar. Nesse mundo em que todo mundo é TÃO parecido, ou pelo menos todo mundo tenta ser parecido para se encaixar, às vezes a gente se enche. Mas pode ter CERTEZA que o problema não é com você. O problema é com gente que não te aceita do jeito que você é e quer te mudar, esses sim tem problema. Você tem que ser do jeito que você é, sem fingimentos, sem tentar agradar. Quem gosta de você vai gostar independente de você ter ido naquela festa ou vestir aquela roupa. Você é inteligente, e é isso que falta na maioria das pessoas que acham ruim que alguém pense diferente.
Força, guria!
x
Ah Kamilla, que péssimas essas pessoas te pressionando. Mas nem liga, é super bobagem isso, quem é igual, quem se encaixa?
Um dos motivos de ter feito o blog e de ter gostado tanto, é que por aqui acabo encontrando muita gente que não se sente igual, como eu.
Um beijo!
Oiii, brigadão pelo comentário no meu blog. Fiquei muito feliz.
Você já foi lá sim, rsrs, volte sempre.
Agora nesse exato momento, estou correndo, e nem posso ler seu post, mas vou voltar depois para lê-lo, porque eu também acho que você escreve muitíssimo bem.
Beijão.
"que nem ONG para defender meus direitos" - hahaha posso marcar à ferro no corpo essa frase? Amei.
Seria clichê (?) eu dizer que me sinto da mesma forma. Clichê porque sairia algo artificial demais. Mas essa é a verdade. E garanto que existem por ai outras pessoas que se identificam com nossa falta de aptidão pra socializar. A maioria dessas pessoas estão escondidas em teatros, bibliotecas ou qualquer moquifo underground aleatório. Eu quero muito seguir o meu caminho, que é completamente adverso das tradições, mas quem disse que é fácil? Eu escorrego por um lado, a sociedade me empurra de volta pelo outro lado. O segredo é não se deixar maquiar pelo o que os outros acham ser o certo e melhor :)
Flor, eu concordo com cada vírgula e ponto o qual colocou neste texto, me senti exatamente como você se sente durante "anos", ou seja, desde quando comecei a entender que eu era "gente".
Você não é diferente, você é especial. Você não é comum e sim tem personalidade forte. Entende?
Você precisa apenas se compreender, se achar e saber qual é ponto o qual você participa na sociedade. Pessoas mais cultas que tem conhecimentos enriquecidos que se sentem assim durante muito tempo antes de se descobrirem "gênios".
Beijões minha flor...você é um diamante a ser lapidado e precisa focar no que você faz melhor...para ser "exclusiva"...
AMEI SEU POST!!!!!
Ai Kamilla... me dá um abraço!
hahahaha
Esse seu post poderia ter sido escrito por mim! Me sinto muito deslocada, e sofro essa pressão... e pior é que é por parte da minha família. Meus parentes por parte de mãe me julgam muito, me acham esquisita, metida, boba, sei lá! E eu finjo que não me importo, mas no fundo, não é legal ver que as pessoas te olham como se você fosse um alien, e pensar no que elas devem realmente falar de você quando estão fora das convenções.
Graças a Deus tenho amigos com os quais eu me identifico, não totalmente, mas que me entendem e gostam de mim como sou. Se não fossem por eles...
Mas ó, mudar quem você é por conta dos outros não está com nada, porque você estaria mudando aquilo que você tem de mais precioso, que é sua essência, por quem é incapaz de te aceitar como é. Não rola.
Beeeeijo!
Enquanto lia seu post, me lembrei dos meus 14, 15 anos, quando fazia de tudo e mais um pouco para "ser diferente". Meu grupinho era o grupinho das excluídas da sala que se juntaram. Forçava a barra mesmo, sabe? O engraçado é que agora, poucos anos depois, virei alguma coisa entre essa pessoa que eu tentava ser e uma pessoa normal, e a sensação que tenho hoje é a mesma que a sua: não ancaixo 100% em nenhum lugar ou grupo e também me sinto sozinha.
Mas vamos puxar a brasa para a nossa sardinha? Já dizia algum escritor, cujo nome não me lembro: "quem se define, se limita". Pertencer a algum lugar pode ser necessário (e é mesmo), mas é tão legal ser algo mais. Ser um pouco fora da casinha tem lá suas vantagens. E, apesar de não ser a coisa mais fácil do mundo, pode render momentos muito gostosos. Não tem sensação melhor no mundo do que deitar (num sofá, rede ou até nma própria cama) para ler, jogar no celular ou assistir um seriado e se sentir confortável sendo você mesma!
Afinal, estamos todos sozinhos nessa vida! Juntos, mas sozinhos. E apesar de não gostar da sensação de solidão, tento amenizar isso convivendo melhor comigo mesma (afinal, é o que vou ser até o último dia por aqui)!
beijos :**
Houve um tempo que eu me ligava muito na pressão que os outros faziam em cima de mim, mas depois comecei a relaxar com relação a isso. Não dá p/ fazer o que os outros querem sem fazer antes o que eu quero. E até eu saber o que eu quero a estrada é longa...
Relaxa viu?
Beijos!
Eu também já passei por isso e hoje eu sei o quanto é bom ser meio diferente. Sempre tive meus amigos, nunca fiquei sozinha nem nada, mas sempre me senti meio deslocada em relação a certos assuntos, coisas que nunca me interessei nem nada. E sei lá, acho que é nisso que eu saio na frente as vezes: conseguir estabelecer opiniões sobre tudo estando de fora.
Foi um comentário meio aleatório haha, mas é pra que vc saiba que a gente nunca tá sozinho no mundo, não!
Eu me sinto excluída às vezes também e olha que eu tenho apenas 15 anos. É tenso, é tenso, é tenso. Mas como um amigo meu disse sobre mim (e que se encaixa perfeitamente a você): "Ela constrói e enfeita seu próprio pote, decora e pinta com aquela cor que o mundo não consegue ver: conteúdo.". É isso, Kamilla, vamos continuar sendo nós mesmas porque tem gente que nós dá valor assim. E o resto... Ah, o resto é resto, rs.
Beijos,
Eu também me identifiquei com esse post. Só que eu penso que as pessoas devem gostar de mim do jeito que eu sou, Kamillinha, assim como eu gosto delas do jeito que elas são: bebendo, indo a festas... Fique bem e não mude seu comportamento por isso. Afinal, quem mais vai lucrar sendo como você é será você mesma!
Oi Kamilla!
Também já me senti muito sozinha, já me senti excluída, já mudei pra agradar e o que eu descobri é que tudo depende do ambiente, é raro mas dá pra encontrar um lugar no qual vc se sinta incluída e bem mas enquanto você não encontra leia e coma chocolate mesmo haha
beijos
Olha, eu nao te conheço mas me senti totalmente compreendida porque sou quase idêntica a vc nesse sentido. E tb ja sofri muito por isso. A unica diferença é que aprendi a me abrir com algumas poucas pessoas e além disso tb sempre desejei o amor. Vc nao esta só, eu te entendo...acredite!
Eu sei como é sentir esta pressão. O mundo às vezes pode ser cruel. E pode ter certeza que doi Kamilla. Você tem que se deparar com as convenções formadas pela sociedade e ficar diante da pressão de se firmar nesta idealização do que proclamam correto.
É um ataque à personalidade. E quem é fraco acaba subjugado pela massa. É preciso força para não cair nas armadilhas da sociedade. E muita coragem para viver as tuas filosofias, teus pensamentos, tuas ideias sem ter que esconder.
Não se deixe violentar Kamilla. não se enfraqueça diante deste monstro que busca nos corromper. Viva o que tu és, como tu pensas, goste do que realmente gostes.
Eu sei que às vezes você fica com aquela sensação de mudar. Mas é um erro mudar para agradar outros. Você deixa de ser você para se tornar mais um, uma pessoa superficial, sem vontades e sem personalidade.
Continue assim. Você tem valor. Justamente pelo que és. É a tua maneira singular e peculiar que encanta. É o teu jeito único que te faz ser especial, diferenciada, amada.
Continue fazendo o que tu quer, o que tu gosta de fazer.
E não se sinta sozinha. Estou aqui.
Beijos!
eu sei, kamilla. quase tudo que as pessoas "normais" acham legal eu acho tão chaaato. morro de preguiça de ir em festas - mesmo nas festas da faculdade, onde as pessoas deveriam ser mais inteligentes, mas parece que saiu todo mundo da mesma forminha. e eu não sou dessa forminha. não gosto muito de me sociabilizar e tenho uma dificuldade enorme em manter amizades - geralmente porque simplesmente não me importo. criei o blog pq me sentia sozinha e não tinha com quem compartilhar minhas idéias.
mas sabe de uma coisa? foda-se as outras pessoas. leia seus livros, assista seus filmes e fique bem com você mesmo. elas é que são idiotas dançando pra músicas estúpidas e bebendo até vomitar e beijando estranhos em lugares duvidosos. essas pessoas só querem fugir de quem elas são (tenho certeza que você sabe disso), mas você não. você sabe exatamente quem você é e o que quer ser. você deveria se orgulhar disso.
beijinho e se sinta melhor, viu?
Oi, querida. Não se sinta assim. Provavelmente isso é apenas uma fase da vida onde vc está buscando um lugar para se inserir na sociedade. Pode parecer impossível, mas todos nós nos achamos em algum momento. Sabe o que pensei quando vc disse que se sentia sozinha e que gosta tanto de ler. Que tal buscar uma motivação em alguma instituição carente, como ler livros para crianças, por exemplo. Se não tem jeito de sair desse mundo, o jeito é sair por aí e tentar se encontrar.
Um beijo
Eu bem sei como é se sentir fora dos padrões, não se encaixar nos gostos populares, ser estranho aos olhos de quem vê. Sempre fui às avessas! Mas com o tempo aprendi que eu tinha a mim, e isso passou a me bastar. Importa é o que você gosta, o que te faz feliz!
Beijo e boa semana!
Kamilla, calma.
Se você se sente dessa forma e sozinha - bem-vinda ao clube. Não etá só coisa nenhuma. Compartilho da mesma situação.
Isolei-me tb do mundo, e diziam-me, ainda por cima, que eu era especial por ser rara. Rara em quê?
Mas talvez sejamos, de fato. E o mundo nãose adaptou à nós.
Um beijo, linda.
faça isso, sem restrições, quem sabe um dia encontre alguém que pelo menos aceite esse jeitinho seu, pq encontrar alguem e igual e se apaixonar é bem difícil...
beijos
boa semana.
Realmente não é pedir demais. Eu já tentei me "encaixar" nisso tudo que dizem ser bom e não deu certo. Tenho meus momentos de sociabilidade, mas gosto de ficar comigo mesma. Simplesmente relaxe e viva quem você realmente é.
Ainda bem que existe gente como você neste mundo, Kamilla. E que diz isso em alto e bom som.
Sinto um certo alívio. E uma discreta alegria.
Bjoo!!
Você não é a única. Também sou assim, fora dos padrões sociais e quando estudei Durkheim quase enlouqueci porque caí em mim de que era um fantoche de tudo aquilo que a sociedade considera aceitável. Mas foi também graças à ele que me libertei dessas correntes e não faço a mínima questão de ser aceita.
=1
Caramba, Kamilla, você tirou as palavras da minha boca. Não poderia me encontrar mais poucas palavras... Às vezes eu olho ao meu redor e me sinto a mais idosa das pessoas da minha idade. Não gosto de ir pra balada e beber todas, prefiro ficar em casa na companhia de um bom livro e, definitivamente, não faço questão de pegar todos... apesar de buscar o amor verdadeiro, coisa que várias meninas da minha idade acreditam já ter encontrado naquele surfista maroto que chamam de namorado. Sabe?
Mas, que se dane tudo isso... eu não vou mudar não, que me perdoe a sociedade.
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