sexta-feira, 20 de maio de 2011

A Banda Mais Bonita da Cidade

Eu cresci ouvindo que a minha geração estaria fadada a produzir só podridão musical. Era isso que se via na mídia e é isso que ainda se vê. Como se as outras gerações fossem blindadas a esses tipos de música. O que se tem que entender é que músicas comerciais são uma coisa e música outra, bem diferente.

O que eu vou falar é baseado totalmente na minha imaginação, e porque não, na minha lógica. Nunca li relatado em livros. Mas na minha singela opinião, os grandes Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Elis Regina, Tom Jobim, Vinícius de Moraes... nas décadas de 1960 e 1970, não eram midiáticos. Muito menos eram populares. Cá entre nós, se Antonio Prata me permitir, essas músicas eram típicas da galera "meio intelectual, meio de esquerda". Até hoje é assim. Nesse período, é claro que existiam músicas ruins e eu tenho certeza que a maioria das pessoas gostavam. Só que com o tempo foram esquecidas... É isso que se acontece com músicas midiáticas, somem na mesma rapidez que aparecem. Se possível, e for pedir muito, só os bons permanecem. Que geração não queria ter como os melhores da MPB como seus expoentes? Mas será que você ouvia essas músicas ou só se utiliza desse artifício para ganhar uma discussão com a minha geração? Uni-vos, vem ouvir a minha música, que eu já ouço a sua!

Até eu estou passada com o rodeio que fiz só para dizer que hoje, fui surpreendida com uma das músicas mais apaixonantes que já ouvi. E o melhor de tudo: foi feita por jovens. Ei, olha a minha geração! No meio de tamanha poluição musical surge uma flor que dá orgulho. A música se chama "Oração" e o nome da banda que já é autoexplicativo: "A Banda Mais Bonita da Cidade".

Sabe o que a minha geração tem e a sua não teve? Meios de comunicação descompromissados com a mídia permitindo que conheçamos os mais variados tipos de arte. Essa música que eu citei, virou a queridinha no Facebook. Isso é democratização musical. Vocês democratizaram a política e nós a música.

Estamos atrás da poesia singela, da beleza no encontro das palavras, na brincadeira séria do amor... do amor! Essa é a minha geração. Em tempos de Adele, Thiago Pethit e A Banda Mais Bonita da Cidade há ainda quem diga que a minha geração não sabe fazer música. Estão certos, não fazemos músicas. Poetizamos música.

17 comentários:

Breno Sousa disse...

Olha, ainda não consegui formular uma opinião precisa sobre a música e a banda (embora o pendor para uma avaliação positiva seja ENOOOOOORME). Mas o seu texto - aliás, pelo que vejo neste blog, a sua escrita como um todo - é de um primor que dá gosto. Ler textos como os seus é um prazer quase sexual, rs.

Pixiie disse...

A música é ótima! É isso aí, é injusto estigmatizar nossa geração como a que só consome lixo, tanto na música como em outros aspectos.
Como que alguém que curtia Gretchen e Menudos nos anos 80 pode falar nada sobre nós?
(Se bem que a Geração Restart deve dar raiva até na minha avó, adepta de Luís Gonzaga.)
Beijos.

Gabriela Petrucci disse...

Ai Kamilla, eu odeio isso, mas posso te corrigir?
Conforme meus estudos de história da música, no ano passado, pra passar no vestibular, Caetano, Tom, Elis, Chico e todos esses outros eram bem populares sim, tanto é que a música Romaria, do Renato Teixeira, só fez sucesso depois que a Elis cantou pela primeira vez.
Enfim, vamos a Banda mais bonita da cidade. Ontem mesmo meu professor de Comunicaçã, Sociedade e Cultura tirou uma parte da aula pra falar mal da banda, que até então eu desconhecia, falou que é uma bandinha que quer ser muito autêntica, muito alternativa e indie e, no final das contas, é igual a todas as outras. Até pensou na possibilidade de ser algum viral do YouTube e depois revelarem que era, sei lá, uma propaganda da Coca Cola. Aí cheguei em casa, e vim pesquisar quem eram esses crápulas da cena atual da música brasileira e: oh, meu Deus! Eu gostei! hahaha O professor falou tão mal da banda que, de início até me senti mal por ter gostado, mas foda-se, eu gostei mesmo e não tô nem aí, hehe. É realmente bom saber que dentre tantos Restarts nossa geração produz coisa boa, mesmo sendo comercial, ou não, sendo música autêntica ou não. O importante é que é legal! :P
Desculpe a correção e o comentário enorme!

Beijo

mari ebert disse...

Muito legal, adorei! Mas COncordo com o coment da pixiie: a geração restart dá raiva hahaha eh isso, bjão!

Rúvila Magalhães disse...

Apesar de ter um gosto musical bem diferente do seu eu concordo que nossa geração tem músicos fantásticos e canções maravilhosas, estou ouvindo uma agora haha (Do you love me still? - The Kooks)

Beijos

Alexandre Fernandes disse...

Sim Kamilla, esta música por sinal eu ouvi por indicação de uma amiga, há dois dias atrás. E confesso que me encantei do início ao fim. E isto foi apenas o início para baixar as músicas da 'banda mais bonita da cidade'.

Realmente são melodias inteiramente poéticas. E oração tem este poder que se instala de forma doce no coração. É uma canção que vai movendo nossa alma com extrema ternura. Para mim que andava tão mal ultimamente, esta música foi literalmente uma oração.

Beijos!

Ana Lu disse...

Ei Ka! Essa música estourou do nada né? De repente tava no facebook de todo mundo, e eu já me peguei andando pela casa cantarolando ela vááárias vezes, hahaha. E sim, eu concordo com você, é muito fácil falar bem da geração passada guardando Cazuza, Chico Buarque e Tom Jobim, mas com certeza teve MUITA coisa péssima e passageira. Humpff.
Beijos!

Andressa disse...

Muito bonita mesmo, a banda. Ouvi semana passada, gruda na cabeça, né?

Nana disse...

Não conhecia a banda ai....vou me informar mais a respeito...vlw a dica!

Bjs e fik c Deus. Tem post coletivo e selinho no blog!!!

Rafaela disse...

Gostei da música! E também concordo, tem muita coisa boa na atualidade pra gente valorizar sim, apesar de serem inegáveis os talentos do passado. O negócio é que se tornou moda criticar tudo o que é novo, de agora. Virou moda cultuar o antigo. Quem sabe lá na frente a gente não veja esses talentos, hoje criticados e ignorados, sendo cultuados por nossos filhos e netos?! Não duvido nada, viu?

Beijos, Kamilla!

Autor disse...

Eu gostei do vídeo e a música é um earworm dos infernos! Fico cantarolando o tempo todo.
Mas, tenho de confessar, que morro de medo de a banda virar uma nova Los Hermanos, com seus fãs malucos e chatos.
Deixemos eles produzirem as músicas. Vamos consumir, simples assim!

Larissa L. disse...

Kamilla, realmente tem muita coisa ruim por aí!
Mas acho que as poucas e boas quem têm já ajudam a salvar o caos musical!!!
Beijos!!

del disse...

Vim aqui falar sobre a Adele, mas agora já tenho outro assunto pendente? Ô meu Deus! haha
Bom, amei Adele, já tô viciada. A voz dela é maravilhosa.

E a banda mais bonita da cidade eu já conhecia. Quero dizer, conheci há poucos dias. Gostei, achei bem diferente do lixo musical que andam empurrando goela abaixo nos meios de comunicação :)

sobrefatalismos disse...

Que lindo isso que você escreveu, moça. Até porque, é bem por ai mesmo. Além de tudo, penso que deveria existir uma rádio que só tocasse músicas poéticas, de artistas e bandas independentes, fora do meio midiático. Seria bem melhor.
Um beijo!

Anna Vitória disse...

Kamilla, li seu post no dia que você postou, mas só hoje fui ouvir a tal Banda Mais Bonita da Cidade. Não gostei muito da música, a repetição da letra por tanto tempo foi me deixando um pouco angustiada e agora eu vou passar uma semana inteira cantando sem parar. Ainda não sei se gostei. Mas, se vale dizer, o clipe é adorável, eu tenho uma queda por pessoas felizes pulando e dançando. E acho que nossa geração tem muita coisa boa sim, ainda não acho que se equipara ao que foi feito por Caetano e o Chico, nosso lindo, mas acho que o mundo vive outro momento que, infelizmente, condiciona essa certa falta de ousadia.
Vou ouvir mais coisas e depois te conto o que achei.
Beijo

Beatriz Lopes disse...

Não sei... Creio que tenho um conceito diferente do bom ou do ruim. Por exemplo, toda vez que ouço Estúpido Cupido ou Broto Legal, me pergunto, PORQUE NÃO NASCI NAQUELA ÉPOCA? Não que eu menospreze Caetano, ou Chico, longe de mim. Mas levando em consideração o fato de que o mundo é feito de milhões de panelinhas, acho que não seria na deles que eu iria cozinhar. O que nos encanta é a vontade que eles tinham de revolucionar! E o que falta muito hoje em dia. Beijos :*

Petite Sorcière disse...

Acho que tem muita gente legal fazendo música sim, o que não tem é divulgação que é bem diferente, mas vai sobrevivendo, passando de pessoa p/ pessoa e nào tem coisa mais gostosa que poder dividir uma banda legal com alguém que ainda não conhece, ou chegar na casa de um amigo e descobrir que ele tem ouvindo algo diferente.

De qualquer forma, em qualquer geração tem gente produzindo merda e talvez, a nossa, por ter meios de comunicação tão acessíveis tenha mais fascilidade de demonstrar isso. Moda é normal.

Agora, existem muitas bandas que começam em uma geração, mas vão se modificando, recriando, e aí eu me pergunto se elas pertencem a alguma geração. Acredito que não.

Sabe, eu sou meio antimodinha, então estava me recusando a ouvir essa banda, mas depois de ler o seu post, tive interesse. Como no caso da Adele, conheci aqui e tem se tornado uma das minhas grandes paixões. Eu só posso agradecer então pela Adele =)

Beijos