segunda-feira, 11 de julho de 2011

Protagonista

Sempre fui avessa a acreditar na felicidade. Não que um dia eu não fosse feliz. Longe disso. Já fui, estou sendo e continuo a procura dela. Eu duvidava era do modelo de felicidade que me impunham. Não sei se era porque sempre fui meio do contra. Por isso, eu repudiava essa idéia. Confesso que ainda duvido, mas não custa nada eu quebrar a cara. Aliás, minha especialidade.

Ouvia de amigos, parentes, conhecidos e psicólogos que eu deveria sair mais, fazer mais amigos, namorar mais e me cobrar menos em relação aos estudos e à vida . Principalmente à vida. Receita fácil de ser seguida. Mas não por mim. Uma vez que eu achava uma afronta me dizerem que o meu jeito de viver era errado. Por que eu tinha que me mudar para ser feliz? Não poderia encontrar a felicidade no meu modo de ser? Se eu sou diferente de todo mundo, por que teria que viver da maneira deles? Para mim, isso era uma ditadura da felicidade.

Depois de muito dar murro em ponta de faca, deixei-me adentrar a esse tal mundo da felicidade. Para mim é tudo novidade. Ainda enxergo com desconfiança esse caminho que estou passando. Ando com medo de pisar em ovos. Claro, que já quebrei alguns, porque desastre é meu sobrenome.

Amigos, parentes, conhecidos e psicólogos ainda não é hora de comemorar. Tudo bem que estou em momento de metamorfose, mas isso não significa tanto assim. Tenho saudade ainda daquela minha vida que eu lia mais livros do que vivia, em que eu escrevia sobre a vida que eu via passar pela minha janela e assistia a filmes utilizando a catarse como principalmente instrumento. O papel que me cabia era de coadjuvante. Por isso eu lhes digo: ainda duvido desse paradigma da felicidade que tanto me dizem. Porque se até no cinema tem Oscar para ator coadjuvante, por qual motivo eu tenho que renegar esse meu papel na vida? Alguns nasceram para protagonistas, outros, como eu; para papel secundário. Mas para não decepcionar ninguém, o meu atual papel na vida é de protagonista de Malhação, sem talento para tal coisa, mas está lá interpretando sua personagem como manda o script.

24 comentários:

Kal Cavalcante disse...

A ditafura da felicidade.
Não é exatamente assim. Não totalmente. Um pouco, talvez, mas você escolhe se quer tentar resolver a questão pela fórmula ou do seu próprio jeito. É o que eu disse, não pode ser uma ditadura por conta dessa escolha que temos, entende?
P.S.: é impressão minha ou esse seu plano de fundo é tipo uma ilusão de ótica? Parece se mexer.

Rafa disse...

Acho que quem definir o que é certo ou errado na nossa vida somos nós. É claro que a opinião de pessoas queridas contam muito, mas né? Somos nós que decidimos o que vamos fazer com a nossa vida. Acho que você faz bem em "sair da vida de coadjuvante" (quase todos os principais já foram coadjuvantes um dia) e tentar provar o que a vida tem para oferecer. Mas também acho válido você passar o dia lendo - não tem coisa melhor do que isso. =)

Beijos!

Luciana Brito disse...

Me identifiquei!
Essa ditadura da felicidade sempre me incomodava, assim como a da beleza, por exemplo. Mas um dia você é "engolido" por ela e vai tentando se acostumar... depois até acha bom.

Pelo menos comigo tem sido assim.

Beijo!

Marie Raya disse...

Texto incrível! Caramba, fiquei muito feliz em ver uma blogueira falar sobre a catarse em seus textos, haha. Adoro. Quanto a felicidade, acho que não existe felicidade eterna. Felicidade são momentos pequenos que marcam pra sempre. Momentos felizes. Adorei o blog e to seguindo :*

Valéria disse...

Kamilla receitas não existem mesmo.
Nos questionar e ao mundo como ta fazendo ajuda tb.
Palpites todos arriscam, mas vai a dica de quem te ama e te respeita como vc eh
"tudo e questão de manter, a mente quieta a espinha ereta e o coração tranquilo..."
beijos
Tia valéria

del disse...

E quanta gente passa por isso, né? Eu sou mais uma que, assim como você, tenho um conceito diferente de felicidade. Só não tive ainda essa coragem de mudar meu papel, mas também não me convence muito, não. O papel de coadjuvante sempre acaba machucando mais, nos distanciando mais. É mais difícil. Mas não me vejo em outro papel, por enquanto. Acho que felicidade é coisa particular demais, tipo calcinha :P

Deyse Batista disse...

Obrigada, Kamilla, por jogar na minha cara a verdade sobre a minha vida.

Ana Lu disse...

Ah, eu sempre me obriguei a ser feliz! Eu não me suporto triste ou mau humorada. E quando eu fico mais de 3 dias assim, eu sento, respiro e penso porque diabos eu não estou feliz, e aí eu tento me fixar em alguma coisa que volte a me fazer sorrir. Eu sei, eu sou boba, mas eu gosto de enxergar a vida com óculos cor de rosa, sabe? =]
Beijos!

silvakov disse...

Tava lendo o seu texto de maio sobre A Banda Mais Bonita Da Cidade. Você viu o documentário "Uma noite em 67"?
Repasse para todos os seus leitores...
No mais, gostei do blog hehehehe

sobrefatalismos disse...

A felicidade é apenas utópica. O que deve existir, dizia Saramago, é uma harmonia entre os dois extremos da vida.

Tary disse...

Ótimo post! Sabe, eu já tentei ser feliz ao modo dos outros, mas não adiantou. Pra mim, felicidade é uma coisa muito pessoal... Mas é válido tentar enxergar o que há de tão especial no que os outros curtem fazer, até mesmo pra descobrir o que nos traz felicidade nessa vida. Espero que essa sua jornada te ensine bastante e que você ganhe o Oscar, mesmo se for pra ser de coadjuvante, hehe.
Beijo!

Alexandre Fernandes disse...

É como você falou, a felicidade não deve seguir um padrão ou convenções criadas por todo mundo. A felicidade é um prêmio que está no fim de vários caminhos diferentes. O importante é sermos nós mesmos, sem sermos influenciados, e vivermos o que de verdade somos. Cada um deve seguir a felicidade como o coração manda. É este o mandamento principal. Existem muitos caminhos para se chegar a ele, não precisamos embarcar nesse paradigma da felicidade.

Não precisa ser como os outros. Isto é balela inventada pela massa. Teu jeito de viver não é errado. E quem está no direito de dizer isso, visto que você sabe muito bem quem é e o que faz. O seu modo de ser é o que te diferencia, o que torna especial e singular.

Embora você tenha adentrado um pouco desse caminho, isso não significa que precisas mudar seu comportamento. Atitude é uma coisa que é preciso em todo modo de ser. Eu estou vendo aqui apenas uma atitude sua de buscar a felicidade. Mas não precisa necessariamente mudar. Escolher ser feliz é uma coisa que vai além do fato de seguir caminhos estabelecidos por outros, mas sim por uma alternativa indicada pelo próprio coração.

É engraçado, mas ando adentrando um pouco desse mundo, e tenho tido muitas dificuldades, porque tudo é muito avesso ao o que acredito, ou o que pensei ser correto. Mas isto não é o mais difícil de ser absorvido, e sim continuar a ser o que sou de verdade.

O importante às vezes não é se mudamos o caminho, mas se ainda seremos o que somos nesse novo caminho, e absorveremos os aprendizados com o mesmo coração de antes.

Beijos!

Pixiie disse...

Post muitíssimo bem escrito, Kah.
Existe mesmo essa droga de ditadura da felicidade, e tem uma tia minha que é craque em tentar me coagir.
Ela acha que eu sou uma pessoa tããão deprimida pelo fato de eu não viver em festas gastando meu pouco salário em bebidas, roupas da "última moda" e encontrando namoradinhos que duram 1 ou 2 anos se muito, como minhas outras primas.
Acho isso tão pobre. Quer dizer, se eu não passar minha juventude assim, vou ter desperdiçado-a?
Eu não sei o que se passa na cabeça dessas pessoas.

Boa sorte com suas descobertas, e continue no caminho dos ovos, que dê tudo certo.
Beijos da sua concorrente no Oscar à melhor atriz coadjuvante, Patrícia.

www.piece-of-pixiie.blogspot.com

Luisa Pinheiro disse...

Adorei o final do post!
No mais, acho que muitos coadjuvantes passam por essa metamorfose. Como eu passei há alguns anos e gostei de me assumir como rainha do meu eu do tipo que ignora outros eus e outros mundos, como o Antonio já falou numa frase. Ou como você falou, talvez pra ver qual que é e, se quiser, voltar ao papel secundário de antes.
Aproveite!

Carolda disse...

Eu acho que precisamos SIM ser protagonistas, mas de nossas próprias vidas. E só. O conceito de felicidade é mito complexo, e acho que cada um tem lá o seu... e ninguém tem o direito de contestar isso.
Beijo, moça.

Ju Fuzetto disse...

E quem disse que felicidade tem que vir embrulhadinha em papel de presente? Ás vezes ela vem embrulhada no jornal. E tantas vezes é pisoteada por nós, quando não visualizamos a verdadeira mensagem que ela nos traz.

E não precisa inverter os papéis você quem faz o final feliz.

A-d-o-r-e-i. beijos flor

Lara disse...

O motorista do jornal onde trabalho vive dizendo que eu preciso viver. Mas o conceito de vida/felicidade que ele prega significa beber, "dar uma" e curtir loucas noitadas.

Olhando por esse ângulo, eu prefiro a companhia dos meus livros - e ser alguém que lê mais do que deveria. Talvez eu apenas me sinta bem assim ou razoalmente feliz.

O que importa é que eu seja protagonista nas minhas escolhas e no que acredito ser sinônimo de felicidade para mim.

Beijos

Vanessa disse...

Gostei demais desse post, pois me identifiquei com ele. Não compreendo esse padrão de felicidade que nos é imposto. Acho que seremos realmente felizes apenas quando deixarmos de nos preocupar com eles. O certo é cada um encontrar e desempenhar o seu papel na vida...

wakko disse...

Felicidade é algo muito subjetivo, cada um é feliz de seu jeito, coisas que deixam uma pessoa feliz podem não deixar a outra, e vice-versa. O mais importante é viver do jeito que você quer, tentando achar a SUA felicidade e sim, sendo protagonista da sua vida, e não apenas uma coadjuvante ;)

marcela disse...

Felicidade é uma coisa tão subjetiva sabe? Quanto vc percebe que é sim protagonista da sua própria, mas também pode ser a roteirista. Faça o que acha q vai te fazer feliz. Ou pelo menos tente.
Beijos!

Beatriz Lopes disse...

Adorei a comparação que fechou o texto. Realmente muito legal, HUASDUDSU. Mas sabe, às vezes temos que fechar os livros e traçar caminhos pelas "Páginas da Vida" para ter mais algumas histórias para acrescentar. Algumas pessoas vivem pra se tornarem "lendas" outras para terem o que contar para os netos. Eu vivo pelo simples prazer da descoberta, já que não me encaixo em nenhum desses esterótipos.

Anna Vitória disse...

Sabe, Kamilla, eu acho que, de uma forma ou de outra nós somos protagonistas das nossas próprias vidas, sempre. Porque né, ela é nossa e de mais ninguém. Mas eu entendo o que você quis dizer, o tal do protagonismo está no tal do viver fora da caixinha e essas coisas. Engraçado que, eu sempre fui quieta, tranquila, avessa a exageros, etc, e sempre me senti muito bem em relação à isso. É o meu tipo de felicidade. Não enxergo a felicidade como um fim, mas como um percurso, como partes de um caminho, que é a vida.
Bem, de toda forma, espero que ganhe seu Oscar no final, seja lá qual o papel que você tenha decidido interpretar ;)
Beijo!

Deborah disse...

também tenho saudade da época que eu lia mais, ficava mais em casa, mas sair é bom também. você não precisa ser a personagem principal se não quiser. nem precisa fazer as coisas que os outros mandam. o importante é entender o que A GENTE quer. ser feliz do nosso jeito. ir ao churrascos certos com as pessoas que a gente gosta. ou ir na casa da amiga ver filme e tomar coca-cola. a graça do mundo é que as pessoas são todas diferentes e são felizes da maneira que podem.

ah, sobre romance: tem muito menino procurando carinho também, bem mais do que a gente imagina. só precisa procurar nos lugares certos. eu sempre digo isso pras amigas solteiras e elas nunca acreditam.

beijo!

Luís disse...

01. Kamilla, eu a.do.ro o seu blog. Sério mesmo. Você sempre aparece com textos tão bons (e tão bem escritos) que eu quase pulo os parágrafos do meio para chegar o final e sentir um saborzinho de "uau!, como concordo com ela" e "puxa!, como ela tirou as palavras dos meus dedos".

02. Também já fui coadjuvante.

03. Acho que fica mais fácil "encontrar a felicidade" por esse caminho porque todos seguem e querem as coisas desse modo. É como o mundo para os canhotos: algumas coisas estão invertidas. Mas como os destros impõem tal maneira, tudo fica assim e o restante que se adapte. Será que estamos no mundo errado?

04. Beijos (: