terça-feira, 11 de outubro de 2011

Prazer, fraude

Há duas coisas que andam me perturbando acerca das minhas provas da faculdade: o uso da minha história de vida para resolvê-las e o meu domínio vocabular nelas.

Eu me recordo de ler algumas matérias de jornais abordando a relação entre o nível vocabular com o cargo exercido por alguém. Normalmente, os empregos de alto cargo, em teoria, seriam preenchidos por aqueles que dominassem mais a nossa língua portuguesa. Dominar a fala e a escrita da nossa língua é uma forma impecável de dominação. Dominação...

Esta semana eu comecei a refletir mais fortemente sobre isso porque recebi a minha prova de Economia Política. Essa avaliação me fez rever toda a minha vida escolar. Apesar de eu sempre ter estudado muito, basicamente, o domínio que eu tenho da língua portuguesa reflete no sucesso das minhas notas.

Voltando ao assunto da prova, eu me surpreendi com a minha nota. Era uma prova de uma questão só, que tínhamos de abordar sobre diversos aspectos da matéria. Eu estudei, li dois livros que o professor indicou e as escassas anotações que faço da aula dele. Mas não foi assim que eu a resolvi. Eu abordei relativamente pouco do que o professor tinha dado em sala e esperava de nós alunos, mas escrevi com toda clareza que treinei durante todas as minhas aulas de redação e com o conhecimento que aprendi no meu Ensino Médio, com o meu professor de Geografia. Portanto, a minha nota não reflete que eu aprendi Economia Política, com aquele professor, naquela faculdade; mas sim que sou uma desing de textos: faço letra bonita; escrevo com clareza e seduzo a pessoa ler o meu texto até o final.

Estou com a estranha mania, a la "Quem quer ser milionário?", de colocar em provas e em redações, tudo que aprendi ao longo da minha vida. O que aprendi aos meus 8 anos, aos meus 15 anos, eu utilizo para solucionar as questões de algumas provas da faculdade. Isso é sério. E o pior: está dando certo.

Não é a primeira vez que acontece isso. Em outras provas já aconteceu da mesma forma. Ás vezes, penso que sou uma fraude. Como se eu fosse uma propaganda enganosa, que te ludibridia com palavras bem colocadas e com a minha história de vida; mas que na verdade não sou tudo isso que você pensa que sou.

11 comentários:

Mônica Alves disse...

Pra mim funciona assim também. Tenho na minha cabeça que o quanto mais eu escrever bonito e com palavras rebuscadas, mais vai parecer que eu realmente estudei e entendi aquilo. E olha, até hoje não tenho do que reclamar, não...a teoria funciona haha

Akire Anitsirk disse...

Quem dera eu se minhas experiências de vida pudessem me ajudar a programar =(.
Mas bem se isso esta te ajudando nas provas da facul e tá dando certo, com certeza dará certo na sua futura carreira ^-^.
E você não é uma fraude pois de certo modo você esta usando o seu conhecimento.


Eu consegui terminar de ler o livro *o*/, é quase um milagre!
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Bjocas

del disse...

Mas não é esse o segredo da sobrevivência, ser tudo o que não somos?

Brincadeira. Mas o domínio da língua portuguesa, sim. Isso é um saco. A cada dia aprendo uma coisa nova, uma regra diferente, todas com respostas do tipo "porque sim", e nunca paro de aprender e errar. Mas acho que você descobriu seu melhor jeito de escrever, se expressar. Não é uma fraude. Só sabe como e quando deve usar as palavras e informações que conhece. Acho que isso deve ser o primeiro passo pra um bom jornalista, escritor ou whatever.

sobrefatalismos disse...

Também imagino se aquilo que escrevo condiz com o que sou, a minha personalidade, etc. Tenho receios. Não sou tão interessante pessoalmente quanto quando escrevo. Enfim. A vida é assim.
Beijos.

Anna Vitória disse...

Ai, que bom que não estou sozinha.
HAHAHAHAHA
Sempre fiz isso, principalmente nas provas que tenho preguiça de estudar, tipo Filosofia e Sociologia. Gosto bastante das matérias, mas que no meio do desespero pra estudar Matemática, Física, etc, acabam ficando de lado, e muitas vezes, se não sei de algo na prova, resolvo tudo na "lábia" escrita. Até no vestibular fiz isso. Não tinha estudado muita coisa que caiu na prova de Filosofia, e enchi uma linguiça louca e foi uma das minhas melhores notas.
Eu acho que eu devia me envergonhar por isso, mas de certa forma me sinto meio orgulhosa, hahhaa
beijo

Alexandre Fernandes disse...

A vida também é uma professora. Ela traz ensinamentos. Acho plausível que as experiências em vida possam ser referências para embasar algumas respostas. Porque a formação de opinião implica nesta relação entre o que conhecemos com o que vivemos, com a cultura da qual tivemos. Esta mescla é que permite a formulação do pensar. Pegamos o conhecimento bruto e o enlaçamos com o que aprendemos em vida. A interpretação de temas adversos da vida são produtos desta correlação. Se temos uma opinião, é porque além de conhecermos o assunto, temos base em vida para poder formar o senso crítico a respeito do tema.

Se for como penso, você não é fraude mesmo...

Beijos!

Mayra disse...

Sinto-me assim por diversas vezes também! É incrível porque eu nunca sei que sei a matéria ensinada, mas quando me mandam fazer uma prova discursiva e eu escrevo tudo que me vem à cabeça ao ler a pergunta, o conhecimento brota. Incrível porque consigo boas notas mesmo sem saber que compreendi a matéria. Mais incrível ainda porque muita gente estuda horrores e eu, sem fazer nada além de escrever, consigo ir melhor! Sinto-me uma completa fraude. Tenho até vergonha de ser "pega em flagrante" alguma vez, mas não sei como é que consigo ser hábil em tal coisa. Incrível e meio assustador. Pois é.
haha
Adeus!

Luisa Pinheiro disse...

Que tal produzir um manual, hein? Isso é de uma utilidade pública! Mesmo! hahahaha.
A minha sorte é que eu não preciso fazer prova na faculdade. Nem sei se é sorte, na verdade. Por isso acabei perdendo dessa clareza que você ainda tem (por mais que eu nem fosse boa em redação na escola). Sem contar que o texto jornalístico te deixa completamente viciada....

marcela disse...

Isso é um arte que poucos conseguem dominar. Não espalha não...ahuahauh
Beijos!

Vanessa disse...

Hum.....interessante a sua angústia, ou melhor, sua reflexão! Mas você não precisa se sentir uma fraude! Não é porque chegamos na faculdade que precisamos descartar tudo o que aprendemos e vivemos antes dela. Nada disso, a gente vai acumulando, reformulando, etc. Fique tranquila

Thay disse...

Acho que isso não é bem fraude, afinal você só está usando sua experiência adquirida da melhor maneira possível. E se seus professores não te acrescentaram nada, bem, acredito que o problema não é com você. E se você tem bagagem e informações úteis, porque não utilizá-las? Acho justo. ^^