Eu olho para trás e me arrependo de muita coisa. Muita coisa. Isso porque daqui alguns meses faço só 21 anos. Digamos que nem vida direito eu tenho para ter tanto peso na consciência, mas acho que é assim que a minha mente neurótica trabalha constantemente. É esse o peso do perfeccionismo que eu pago desde nova. Confesso, eu até gostaria de não levar a vida tão a sério e todas aquelas dicas de livros de autoajuda. Não dou conta.
Já pararam para pensar que enquanto alguém está vivendo uma vida adoidado, tem outra pessoa se preocupando com o que ela faz e as consequências de suas atitudes? Na minha teoria, viver a vida sem se preocupar é uma forma de egoísmo em relação às pessoas a sua volta. Se bem que se eu for calcular o tanto que sou metódica, preocupada e perfeccionista, devo ter uma legião de gente despreocupada perto de mim para valer tamanha preocupação que levo comigo. Se é que existe esse equilíbrio ou essa proporcionalidade entre preocupados e não-preocupados no mundo... Quando vão parar de dizer que ser assim é ser bem resolvido?
Vocês até podem me dizer que não levam a vida a sério. Eu vou aceitar, torcendo o nariz, mas vou. Por favor, só não me digam que não se arrependem de nada que fizeram em suas respectivas vidas. Vou pensar que vocês só fizeram coisas certas sempre. Eu poderia pensar também que vocês até erraram, mas não se importam com isso, não se importam com as consequências de seus atos errôneos. Os primeiros tipos são de pessoas perfeitas, que não erram, nem existem; logo acabo de riscar essa possibilidade. Os segundos tipos de pessoas, eu nem sei denominar. Só digo que não gosto muito.
Eu me arrependo muito de atos passados. Claro, que não faço disso uma penitência, porque afinal é passado e eu não tenho como consertar. Mas utilizo esses erros como experiência, como história de vida. Admitir que se arrepende de algo é demonstrar que aceita o erro e se tivesse uma nova oportunidade, faria diferente. Por isso tenho medo de pessoas que dizem não se arrepender de nada. Quando elas falam isso, admitem que o que fizeram foi certo e adequado. Ou são orgulhosas o suficiente para não admitir equívocos. Eu me arrependo de muita coisa. Faria muita coisa diferente. Mas aceito os meus erros como experiências, faço do meu remorso minha pena e trampolim para novos acertos.