segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Vivendo e arrependendo

Eu olho para trás e me arrependo de muita coisa. Muita coisa. Isso porque daqui alguns meses faço só 21 anos. Digamos que nem vida direito eu tenho para ter tanto peso na consciência, mas acho que é assim que a minha mente neurótica trabalha constantemente. É esse o peso do perfeccionismo que eu pago desde nova. Confesso, eu até gostaria de não levar a vida tão a sério e todas aquelas dicas de livros de autoajuda. Não dou conta.

Já pararam para pensar que enquanto alguém está vivendo uma vida adoidado, tem outra pessoa se preocupando com o que ela faz e as consequências de suas atitudes? Na minha teoria, viver a vida sem se preocupar é uma forma de egoísmo em relação às pessoas a sua volta. Se bem que se eu for calcular o tanto que sou metódica, preocupada e perfeccionista, devo ter uma legião de gente despreocupada perto de mim para valer tamanha preocupação que levo comigo. Se é que existe esse equilíbrio ou essa proporcionalidade entre preocupados e não-preocupados no mundo... Quando vão parar de dizer que ser assim é ser bem resolvido?

Vocês até podem me dizer que não levam a vida a sério. Eu vou aceitar, torcendo o nariz, mas vou. Por favor, só não me digam que não se arrependem de nada que fizeram em suas respectivas vidas. Vou pensar que vocês só fizeram coisas certas sempre. Eu poderia pensar também que vocês até erraram, mas não se importam com isso, não se importam com as consequências de seus atos errôneos. Os primeiros tipos são de pessoas perfeitas, que não erram, nem existem; logo acabo de riscar essa possibilidade. Os segundos tipos de pessoas, eu nem sei denominar. Só digo que não gosto muito.

Eu me arrependo muito de atos passados. Claro, que não faço disso uma penitência, porque afinal é passado e eu não tenho como consertar. Mas utilizo esses erros como experiência, como história de vida. Admitir que se arrepende de algo é demonstrar que aceita o erro e se tivesse uma nova oportunidade, faria diferente. Por isso tenho medo de pessoas que dizem não se arrepender de nada. Quando elas falam isso, admitem que o que fizeram foi certo e adequado. Ou são orgulhosas o suficiente para não admitir equívocos. Eu me arrependo de muita coisa. Faria muita coisa diferente. Mas aceito os meus erros como experiências, faço do meu remorso minha pena e trampolim para novos acertos.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Olhos nos olhos

_Oi, tudo bem?
_Tudo, e você?
_Bem também. Você está sumida.
_É, a faculdade estava tomando muito do meu tempo.
_Você sempre foi uma nerd. Viciada em estudos.
_Pois é.
_Você nunca mais me procurou.
_Eu estava sem tempo.
_Eu sei disso. Mas quando você queria, você arrumava tempo.
_Naquela época eu achava que fazer isso valeria a pena.
_Hoje não vale mais?
_Não.
_Eu tinha me esquecido dessa sua sinceridade. Por que não vale a pena mais?
_Porque eu não acredito na mudança de pessoas. Apenas que elas amadurecem com o tempo. E como eu disse, eu estou sem tempo. Você está faltando amadurecer muito. Pena que demorei a perceber isso.
_Eu não sei porque você está me tratando assim.
_É, você continua o mesmo. Sempre sem entender nada do que está acontecendo. Talvez esteja aí o nosso problema. Nós nunca nos entendemos.
_Talvez você queria de mim aquilo que eu não poderia te dar.
_Ah, agora sim concordamos. Realmente, eu esperava muito de você. Eu sempre soube o que eu queria. Já você, queria todas ao mesmo tempo. E eu esperando por você, quando você me chamasse.
_Não era assim. Eu gostava de verdade era de você, não delas.
_Eu gostava só de você. Eu queria só você. Viu a diferença considerável?
_E não quer mais?
_Por favor, né? Eu tenho amor-próprio.
_Não foi isso que eu perguntei. Eu perguntei se você ainda gosta de mim.
_Mesmo se eu gostasse, eu faria de tudo para não gostar de você.
_Eu faria de tudo para você voltar a gostar de mim, como antes.
_Eu acho que já passou da hora. Sinceramente, acho que você nunca gostou de mim. Só gostava da minha disponibilidade. Sempre disponível para quando você quisesse. De repente, parei com isso e você sentiu minha falta. Minha falta não, mas da posse que você tinha de mim. É isso.
_Você está viajando. Não tem nada a ver. Eu sempre gostei de você, mas do meu jeito.
_Desse seu jeito nunca me serviu.